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Especialista Esclarece os Mitos Sobre Mioma

Os miomas são, sem sombra de dúvida, os tumores uterinos benignos mais freqüentes, acometendo 20% das mulheres no período reprodutivo, podendo aumentar para 50%, dependendo do grupo de mulheres estudadas. Predomina em mulheres afro-americanas se comparadas às mulheres brancas.

De acordo com o ginecologista, Dr. Adalberto de Carvalho Valle Netto, os miomas podem ter diversas localizações no útero, quais sejam: subserosos, submucosos ou intramurais, além de poderem também estar localizados no colo uterino ou no ligamento largo (estrutura de sustentação do útero no interior da cavidade), por exemplo.

Os miomas subserosos, informa o ginecologista, crescem para fora do útero e normalmente não irão causar alterações menstruais, porém podem levar a dor por comprimir outras estruturas próximas, bem como, a sensação de peso na barriga quando são miomas muito grandes. Eles podem estar localizados ainda no ligamento largo - um local de difícil resolução cirúrgica, caso seja necessário a sua retirada.

Os miomas intramurais se encontram na intimidade da parede do útero, ou seja, na espessura da parede, podendo causar alterações menstruais e aumento do volume uterino. Já os miomas submucosos se localizam no interior da cavidade uterina alterando as menstruações, e levando a um aumento. Isto acontece, muitas vezes de forma acentuada na quantidade de menstruação durante este período, podendo também levar às irregularidades menstruais.

“Hoje em dia, a grande maioria de casos de miomas subserosos podem ser resolvidos por uma técnica cirúrgica, onde não há necessidade de cortes na barriga, denominada histeroscopia”. A histeroscopia, explica o médico, serve tanto para cirurgia quanto para exame quando não temos certeza do diagnóstico.

Dr. Adalberto acrescenta ainda que, quando se fala em localização, podemos ter a associação, ou seja, miomas submucosos e intramurais e miomas subserosos e intramurais. Os subserosos que forem pediculados jamais terão a parte intramural, o que os torna mais fáceis para serem operados em caso de necessidade. Além disso, os miomas podem ser únicos ou mais freqüentemente, múltiplos.

Sintomas

Os miomas podem causar diversos sintomas dependendo da sua localização e seu tamanho como: dor no período menstrual – chamado de dismenorréia – um sangramento uterino anormal, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais chamada de dispareunia, sensação de peso na barriga, urinar com mais freqüência, obstrução da uretra, saída do mioma submucoso pelo colo uterino. Porém, estima-se que na grande maioria das vezes não causam sintomas, sendo diagnosticados por acaso em um exame de rotina.

De acordo com o médico, esse momento é muito importante pois as pacientes ficam muito ansiosas em saber que possuem um tumor e, “nós médicos temos que ser bastante hábeis e éticos quanto à indicação cirúrgica, que, jamais, em tempo algum, poderá ser ditada apenas pela ansiedade da paciente e sim baseada em critérios clínicos rigorosos”, destaca.

Ele lembra ainda que mesmo quando não provocam sintomas, deveremos estar sempre atentos, acompanhando estas pacientes, realizando ultra-sonografias nas consultas de rotina ou quando, por ventura, apresentarem algum sintoma.

Sua causa é desconhecida, mas vários estudos sugerem sua origem na célula do músculo da própria parede do útero, chamada de miométrio. Já a sua dependência pelos hormônios femininos foi demonstrada em muitos estudos.

Devido à sua dependência pelo hormônio, a sua capacidade de crescimento é grande no período da gestação e durante a fase reprodutiva da vida da mulher. Ou seja, antes da menopausa, fato que tende a diminuir na menopausa, pois nesse período a quantidade de hormônios no organismo da mulher estará muito diminuído.

O médico alerta as mulheres com relação aos cuidados durante o período da menopausa, pois para as que possuem mioma e estão fazendo uso de hormônios, esse tipo de medicamento pode também provocar aumento desses miomas.

No entanto, “não é sempre aconselhável a retirada do mioma para a mulher poder fazer uso do hormônio. É preferível o acompanhamento criterioso destas pacientes”, frisa.

Alterações

Os miomas podem apresentar algumas alterações. Entre elas podemos destacar, as degenerações: hialina, cística, mucóide, vermelha, gordurosa, calcificação e a degeneração sarcomatosa que é a degeneração maligna dos miomas.

A degeneração vermelha, também conhecida como degeneração carnosa é mais comum no período da gravidez e ocorre com mais freqüência nos miomas intramurais. É uma degeneração que pode levar à ruptura com sangramento e choque, constituindo um quadro bastante dramático.

A calcificação ocorre após necrose do mioma, degeneração gordurosa e nas pacientes na menopausa. Eles podem ser vistos no ultra-som e no RX, sendo um motivo de grande angústia para as pacientes que muitas vezes julgam tratar de malignização, porém esta é uma degeneração benigna dos miomas, não devendo ser motivo de preocupação, lembra.

A degeneração sarcomatosa é a degeneração malígna do mioma, no entanto, sua ocorrência é bastante baixa, ficando, segundo alguns autores, na ordem de 0,5%. Devido a isso, o médico explica que é consenso entre os ginecologistas que, esta possibilidade de malignização, isoladamente não é motivo para se indicar a cirurgia dos miomas.

O diagnóstico do mioma é feito através da anamnese, exame físico detalhado e exames complementares. A paciente poderá vir à consulta devido aos sinais e sintomas causados pelos miomas, ou como na maioria das vezes em uma consulta de rotina. Neste momento poderemos fazer um diagnóstico de mioma.

Na anamnese, portanto deveremos perguntar sobre alterações da fertilidade, alterações urinárias e intestinais, dor, etc. Neste caso, é feita a opção de exames como a ultra-sonografia, RX, histeroscopia, laparoscopia, curetagem, toque sob anestesia, como exames complementares.

Dr. Adalberto esclarece ainda que se deve fazer o diagnóstico diferencial do mioma com diversas doenças como os pólipos de endométrio (tecido que reveste o útero internamente), cistos ovarianos diversos, adenomiose, abscessos tubários, assim como, nos casos de afecções extragenitais como rim pélvico, linfomas, aderências, entre outras.

Nestas situações poderá ser indicado o tratamento cirúrgico dos miomas apenas quando são sintomáticos, o que ocorre aproximadamente em 50% dos casos ou em pacientes jovens assintomáticas e que apresentam crescimento rápido dos miomas, frisa. As maiores causas de indicação de remoção cirúrgica são o sangramento uterino anormal, infertilidade e dor pélvica.

Finalizando o especialista acrescenta que o mioma uterino é uma doença bastante comum e que deve ser tratada de maneira consciente, evitando com isso a realização de cirurgias desnecessárias.

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