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Psicoterapia ajuda portador do mal do pânico a não depender de medicamento

15 de Abril de 2003 (Bibliomed). Há duas décadas era comum encontrar pessoas que sofriam crises de pânico e não procuravam tratamento. Hoje o transtorno já é bem conhecido e o paciente sabe o que o atormenta. O problema é que ele vai atrás de remédio e deposita no medicamento toda a fé perdida quando o mundo desabou. A pessoa não se coloca em questão, não admite que algo pode estar errado com ela.

Como as drogas realmente são eficazes no controle das crises, surge outro inconveniente: “Tendo alívio garantido, o paciente não quer parar de tomá-las; quando pára, sai sempre com um comprimido no bolso, é um hipocondríaco. Ao depositar todas as fichas na autoridade do médico e no medicamento, o sujeito que sofria de pânico torna-se, em longo prazo, um neurótico sem crise”, explicou o psiquiatra e psicanalista Mário Eduardo Costa Pereira, autor dos livros Pânico e Desamparo (Editora Escuta, 1999) e Contribuição à Psicologia dos Ataques de Pânico (Lemos Editorial, 1997).

Para o especialista, a psicoterapia pode livrar o paciente dos medicamentos, fazendo com que supere a dimensão neurótica do transtorno. Combinada com a medicação, ela é decisiva para detectar a subjetividade do sintoma e avaliar os elementos modificados na personalidade do indivíduo. Estudiosos estimam a incidência do transtorno de pânico em 1,6% da população. Os sintomas da doença são angústia, sensação de morte iminente, palpitações intensas, falta de ar, tonturas, vertigens, secura na boca, calafrios, formigamentos pelo corpo, desequilíbrio, vontade de sair correndo e fazer alguma coisa, sem saber o que. Embora passe em minutos, a crise deixa uma terrível sensação de insegurança, medo de morrer e uma profunda e desconsolada tristeza.

O portador da síndrome do pânico consegue manter uma vida estável, mas desde que seja sustentado por alguém ou algo concreto. Se um dia ele perde aquela pessoa próxima, seu mundo desaba. “À medida que o capitalismo vai evoluindo, vemos uma sociedade cada vez mais individualista, competitiva, onde o sujeito depende exclusivamente de sua performance e não tem tempo para o outro. Nesse contexto mundano, chama atenção a explosão do fenômeno do pânico, um transtorno que se relaciona com a vivência de desamparo e de falta de garantias”, ressaltou o psicanalista.

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