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Hospitais despreparados para enfrentar o apagão

São Paulo, 23 de Maio de 2001 (eHealthLA). O programa de racionamento de energia do governo federal não mexerá apenas com a popularidade de quem o fez. Mais que reduzir a atividade econômica, poderá expor vidas a risco.

Se houver mesmo o apagão, como é que ficam os hospitais? Na melhor das hipóteses, apenas um em cada sete hospitais no Estado de São Paulo está preparado para enfrentar esta situação, informa o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Casas de Saúde do Estado, o Sindhosp, que adverte: “E assim mesmo se o apagão durar, no máximo, duas horas”.

No último dia 16 a diretoria do Sindhosp esteve reunida com dirigentes da Eletropaulo para discutir essa questão. A Eletropaulo informou estar aguardando as definições da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), para saber como proceder.

Mesmo sem critérios definidos, a Eletropaulo deixou claro que é impossível desligar a energia de uma determinada área e manter o fornecimento para hospitais.

“Nossa proposta foi discutir a possibilidade de se fazer no máximo duas horas de apagão por período, caso estes sejam inevitáveis”, comentou o presidente do Sindicato, Dante Montagnana, acrescentando que os hospitais têm geradores para duas, quatro e até 12 horas: “Isto vai variar caso a caso, mas no geral não estão preparados para mais de duas horas ininterruptas de corte de energia”.

UTIs e berçários patológicos – que atendem crianças nascidas fora de peso e que precisam gerar temperatura igual a do útero, permanentemente – são, ao lado das salas de cirurgias, os pontos mais sensíveis de uma unidade hospitalar.

Mas não é tudo, pois em muitos hospitais o serviço de elevadores é essencial. Não se deve esquecer também as lavanderias... Enfim, um apagão causaria um transtorno imenso.

Transferir toda a responsabilidade exclusivamente para o gerador também pode não ser a melhor alternativa, adverte o médico Dante Montagnana.

“E se o gerador falhar ? Ninguém espera que isso aconteça, mas se ocorrer ?”, pergunta ele, que vai ainda mais longe. Do total de 800 hospitais no estado de São Paulo, cerca de 200 concentram-se na região metropolitana.

As unidades do interior poderão estar em situação ainda mais difícil, porque nem geradores têm. “Na cidade de S. Paulo existe lei obrigando hospital a ter gerador, no interior não.

Por isso tem uma série deles que não dispõe de único equipamento, além das próprias condições”, comentou o presidente do Sindicato, exemplificando: “Existem Santas Casas que faturam R$ 30 mil ou R$ 40 mil por mês, atendendo pacientes do SUS.

Estas, por exemplo, sequer terão condições de pagar um aluguel de R$ 20 mil mensais de um gerador...”.

Os hospitais estão sendo orientados pela entidade sindical para que testem seus geradores desde já e informem sobre eventuais problemas. A entidade promete realização de palestras com pessoal especializado em energia já para a primeira semana de junho. “Em 50 anos de medicina nunca tinha visto nada igual.

Sei que não é tarefa simples a economia de 20% de energia, por isso além das medidas que os associados estão tomando, individualmente, como a troca de lâmpadas e redução na iluminação externa, pedimos a engenheiros especializados nos mostrar de que maneira podemos ainda economizar mais”, finaliza Dante Montagnana, que breve voltará a se reunir com a Eletropaulo e as outras três distribuidoras de energia do Estado: CPFL, Bandeirantes e Elektro.

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