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Quimioterapia

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Neste artigo:

- Introdução
- Administração
- Tratamento
- Efeitos colaterais

Introdução

A quimioterapia é um tratamento que utiliza medicamentos para destruir células cancerígenas ou impedir que elas continuem se multiplicando. Os medicamentos podem circular pela corrente sanguínea e alcançar diferentes partes do corpo, o que permite combater células tumorais que estejam além do local onde o câncer se originou.

Esse tratamento pode ser utilizado com diferentes objetivos: eliminar o câncer, reduzir o risco de a doença voltar, diminuir o tamanho de um tumor antes de uma cirurgia, destruir células cancerígenas que possam ter permanecido após o procedimento ou controlar a doença em estágios avançados.

A quimioterapia pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com outros tratamentos, como cirurgia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. A escolha depende do tipo de câncer, do estágio da doença e das condições de saúde de cada paciente.

Administração

A quimioterapia pode ser realizada em hospitais, clínicas especializadas ou, em determinadas situações, em casa. O local e a forma de administração dependem do medicamento prescrito e das necessidades do paciente.

As principais vias de administração são:

- Via oral: o medicamento é ingerido na forma de comprimidos, cápsulas ou líquidos. Alguns tratamentos podem ser realizados em casa, desde que o paciente siga rigorosamente as orientações médicas.

- Via intravenosa: o medicamento é administrado diretamente na veia, por meio de uma agulha, de um cateter ou de outro dispositivo de acesso venoso. Pode ser aplicado em injeção ou diluído em soro.

- Via intramuscular: o medicamento é aplicado por injeção no músculo, quando essa via é adequada ao fármaco utilizado.

- Via subcutânea: o medicamento é injetado no tecido localizado abaixo da pele.

- Via intratecal: o medicamento é administrado no líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, chamado líquor. Essa via é utilizada em situações específicas, geralmente para tratar ou prevenir o comprometimento do sistema nervoso central.

- Via tópica: determinados medicamentos são aplicados diretamente sobre a pele, na forma de cremes ou soluções, em situações específicas.

Nem todos os medicamentos quimioterápicos podem ser administrados por todas essas vias. A escolha depende das características do medicamento e do tipo de câncer tratado.

Tratamento

O planejamento da quimioterapia é feito pelo oncologista, com base no diagnóstico, nos exames e nas características da doença. Antes de iniciar o tratamento, o paciente recebe orientações sobre os medicamentos, os cuidados necessários e os possíveis efeitos colaterais. Exames de sangue e outras avaliações podem ser realizados para verificar se o organismo está preparado para receber a medicação.

A administração é feita por profissionais capacitados, geralmente em ciclos. Cada ciclo compreende um período de tratamento seguido, quando previsto, por um intervalo de recuperação. Esse intervalo permite que o organismo se recupere de parte dos efeitos dos medicamentos antes da próxima etapa.

A frequência das sessões e a duração total variam conforme o tipo de câncer, os medicamentos utilizados, o objetivo do tratamento e a resposta do organismo. Durante esse período, a equipe de saúde acompanha a evolução da doença e a ocorrência de efeitos adversos, podendo ajustar doses, adiar sessões ou modificar o esquema quando necessário.

A ausência de sintomas não significa que o tratamento deixou de ser necessário. Da mesma forma, a presença de efeitos colaterais intensos não indica necessariamente que a quimioterapia está funcionando melhor. A eficácia é avaliada por meio de consultas, exames laboratoriais e, quando indicado, exames de imagem.

O paciente deve seguir as orientações da equipe e não interromper, alterar ou reduzir a dose dos medicamentos por conta própria. No caso da quimioterapia oral, é especialmente importante respeitar os horários, as doses e as instruções de armazenamento e manuseio.

Efeitos colaterais

A quimioterapia pode afetar células saudáveis que se multiplicam rapidamente, como as que revestem a boca e o intestino, as responsáveis pelo crescimento dos cabelos e as células da medula óssea, que produzem as células do sangue. Por isso, podem surgir efeitos colaterais durante o tratamento.

Entre os efeitos mais comuns estão:

- Cansaço e fraqueza: podem ocorrer em diferentes intensidades e dificultar temporariamente as atividades diárias.

- Náuseas e vômitos: alguns medicamentos provocam enjoo, mas existem remédios que ajudam a prevenir ou controlar esses sintomas.

- Queda de cabelo: pode ser parcial ou total, dependendo do medicamento. Em muitos casos, os cabelos voltam a crescer após o término do tratamento.

- Feridas na boca: podem causar dor e dificuldade para comer ou beber.

- Diarreia ou prisão de ventre: as alterações intestinais variam conforme o medicamento utilizado.

- Alterações nas células do sangue: a redução dos glóbulos brancos pode aumentar o risco de infecções; a diminuição das hemácias pode provocar anemia; e a redução das plaquetas pode facilitar sangramentos e o aparecimento de manchas roxas.

- Alterações na pele e nas unhas: podem ocorrer ressecamento, vermelhidão, coceira, sensibilidade ou mudanças na coloração.

- Formigamento ou dormência: alguns medicamentos podem afetar os nervos, provocando alterações de sensibilidade nas mãos e nos pés.

Os efeitos variam de acordo com o medicamento, a dose, a combinação de tratamentos e as características de cada pessoa. Nem todos os pacientes apresentam as mesmas reações, e muitas delas podem ser prevenidas ou controladas com medicamentos e cuidados específicos.

A maioria dos efeitos colaterais melhora após o término do tratamento, mas alguns podem persistir por meses ou anos. Determinados medicamentos também podem causar danos duradouros a órgãos, como coração, fígado, pulmões e rins, além de afetar a fertilidade. Em casos raros, alguns tratamentos aumentam o risco de desenvolver outro câncer no futuro. Esses riscos dependem do esquema utilizado e são considerados pela equipe médica ao planejar o tratamento.

Para reduzir os desconfortos, é importante manter a higiene das mãos e da boca, seguir as orientações alimentares e de hidratação, descansar quando necessário e utilizar os medicamentos de suporte conforme a prescrição. Antes de tomar suplementos, plantas medicinais ou outros remédios, o paciente deve consultar a equipe de saúde, pois algumas substâncias podem interferir no tratamento.

ATENÇÃO: febre durante a quimioterapia pode indicar uma infecção grave, especialmente quando há redução das defesas do organismo. O paciente deve seguir o limite de temperatura informado pela equipe oncológica e procurar atendimento imediatamente se apresentar febre — o INCA orienta procurar o hospital com temperatura igual ou superior a 37,8 °C —, calafrios, falta de ar, sangramento importante ou piora acentuada do estado geral. Também é importante avisar a equipe se houver vômitos persistentes, diarreia intensa, dor ou vermelhidão no local da aplicação.

O acompanhamento médico e a comunicação rápida de qualquer sintoma ajudam a prevenir complicações e tornam o tratamento mais seguro. Com planejamento e cuidados adequados, muitos efeitos colaterais podem ser controlados, permitindo que o paciente atravesse essa etapa com mais conforto e segurança.

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