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Hidroxicloroquina não apresenta resultados na COVID-19 leve a moderada, diz estudo

15 de maio de 2020 (Bibliomed). Um estudo publicado ontem (14/05/2020) na revista British Medical Journal (BMJ) buscou avaliar a eficácia e a segurança da hidroxicloroquina (associada ao atendimento padrão) em comparação com o atendimento padrão apenas, em adultos com doença por coronavírus 2019 COVID-19). Tratou-se de um ensaio realizado em 16 centros de tratamento de COVID-19 designados pelo governo na China, de 11 a 29 de fevereiro de 2020.

Foram incluídos 150 pacientes internados com COVID-19 confirmada laboratorialmente, e que foram divididos em 75 pacientes designados à hidroxicloroquina mais o padrão de atendimento, e 75 apenas para o padrão de atendimento (intenção de tratar).

A hidroxicloroquina foi administrada em uma dose inicial de 1200 mg por dia durante três dias, seguida por uma dose de manutenção de 800 mg por dia (duração total do tratamento: duas ou três semanas para pacientes com doença leve a moderada ou então doença grave, respectivamente). A principal medida do desfecho foi a conversão negativa da síndrome respiratória aguda grave causada pelo coronavírus 2 em até 28 dias, analisada de acordo com a intenção do tratamento. Eventos adversos foram analisados.

Dos 150 pacientes, 148 apresentaram doença leve a moderada e dois com doença grave. A duração média do início dos sintomas até a randomização foi de 16,6 dias.

Um total de 109 pacientes (73% - 56 cuidados padrão; 53 cuidados padrão mais hidroxicloroquina) tiveram uma conversão negativa bem antes de 28 dias, e os restantes 41 (27%) pacientes (19 cuidados padrão; 22 cuidados padrão mais hidroxicloroquina) foram retirados da análise por não atingirem conversão negativa do vírus. A probabilidade de conversão negativa em 28 dias no grupo padrão de atendimento associado à hidroxicloroquina foi de 85,4%, estatisticamente semelhante à do grupo padrão de atendimento (ou seja, sem hidroxicloroquina). A diferença entre os grupos foi de 4,1%. Na avaliação de segurança, os eventos adversos foram registrados em 7/80 (9%) não-receptores de hidroxicloroquina e em 21/70 ( 30%) receptores de hidroxicloroquina. O evento adverso mais comum nos receptores de hidroxicloroquina foi diarreia, relatada em 7/70 (10%) dos pacientes. Em dois receptores de hidroxicloroquina foram relatados eventos adversos graves.

Assim, o estudo concluiu que a administração de hidroxicloroquina não resultou em uma probabilidade significativamente maior de conversão negativa do que o padrão de atendimento isolado em pacientes internados com COVID-19 persistente leve a moderada 19. Os eventos adversos foram maiores nos pacientes que receberam hidroxicloroquina do que nos não receptores.

Fonte: BMJ 2020;369:m1849.

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