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Vida Moderna Traz Perigos em Forma de Infecções

Por Maggie Fox

TORONTO (Reuters) - A vida moderna pode ter trazido muitas conveniências como aviões a jato, frutas exóticas importadas nos supermercados e poderosos novos medicamentos. Mas as mesmas conveniências carregam o preço de novas e assustadoras infecções, disseram pesquisadores esta semana.

O vírus do Oeste do Nilo, provavelmente levado para América do Norte por avião, é o primeiro exemplo de como as viagens internacionais fazem de toda doença infecciosa uma ameaça global, disseram pesquisadores no encontro da American Society of Microbiology (Sociedade Americana de Microbiologia).

Outras novas ameaças para sociedades saudáveis vêm do processamento intenso de alimentos e das superbactérias que, sob pressão dos novos antibióticos, têm evoluído para resistir aos medicamentos.

Conforme Marci Layton do Departamento de Saúde da Cidade de Nova York, o vírus do Oeste do Nilo, nunca visto no hemisfério ocidental antes de 1999, foi encontrado em pássaros e mosquitos de seis Estados norte-americanos este ano -- Nova York, Nova Jersey, Connecticut, Massachusetts, Rhode Iland e New Hampshire.

Segundo Layton, em 1999 o vírus foi encontrado em apenas uma espécie de mosquito e agora têm sido encontrado em sete espécies.

"Esse surto ressalta a facilidade com que os surtos podem se mover entre os continentes. A preocupação é até onde chegará no próximo ano", disse Layton.

Segundo a pesquisadora, sete pessoas morreram em 1999, mostrando que o mundo é uma comunidade global onde a exposição à infecção mais recente é apenas um caminho a ser percorrido.

"Esse conceito de importar ou (fazer) emergir infecções é verdadeiro, isto acontece. Provavelmente (o vírus do Nilo) veio em avião ou navio", disse Layton.

Teorias sobre como esse vírus foi importado para o Estados Unidos incluem um turista infectado e picado por um mosquito em Nova York, um pássaro infectado importado ou um mosquito que entrou no avião.

Os jatos também trazem comidas contaminadas e para Cindy Friedman, dos Centros de Controle e Prevenção de doenças dos Estados Unidos (CDC), em Atlanta, a crescente demanda por alimentos exóticos e de conveniência -- tais como saladas embaladas -- podem ser parcialmente responsáveis pelos surtos de alimentos contaminados.

"O número de episódios relatados triplicou desde os anos 70", disse Friedman. Enquanto nos anos 70 uma média de quatro pessoas ficaram doentes em cada episódio, nos anos 90 a média foi de 40.

"Estamos descobrindo surtos maiores que atingem vários Estados", disse Friedman.

A maioria é causado por três bactérias: salmonela, a nova cepa tóxica da E. coli e a ciclospora. As bactérias podem chegar aos alimentos pelos adubos usados como fertilizantes, quando os alimentos tocam o solo ou por outras fontes de contaminação cruzada como os ovos crus.

Friedman relatou uma ocorrência recente de envenenamento por mangas contaminadas nos Estados Unidos. As frutas eram provenientes de uma fazenda no Brasil, onde as medidas para descontaminar acabaram contaminando as mangas.

Conforme a pesquisadora, a água suja usada para lavar as frutas provavelmente espalhou a bactéria tóxica. A fruta absorve a água através de buracos na casca próximos ao talo. "Então não adianta lavar ou descascar a fruta", disse Friedman.

A especialista informou aconteceu o mesmo com a alface em Illinois, no ano passado. Água suja foi usada para lavar a alface em uma fazenda da Califórnia.

Os remédios usados para combater as infecções têm causado uma mutação na bactéria originando a cepa de superbactéria que pode resistir a quase todas as drogas.

Segundo Julie Gerberding, do CDC, a resistência começou nos anos 40, logo depois que o primeiro antibiótico, a penicilina, foi introduzido.

"Mais de 95 por cento das cepas do 'Staphylococcus aureus' são resistentes à penicilina. Isso sinaliza uma era onde temos que contar com antibióticos mais caros e menos efetivos", disse Gerberding.

O "Staphylococus aureus" resistente à meticilina (MRSA) tem sido encontrado fora dos hospitais em 17 Estados norte-americanos e em 13 países.

Segundo Gerberding, as superbactérias estavam restritas aos hospitais, onde pacientes seriamente enfermos eram expostos a constantes infusões de drogas, mas agora têm sido descobertas na comunidade.

Sinopse preparada por Reuters Health

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