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Estudo Avalia Carga de HIV do Sêmen em Tratamento Anti-Aids

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As drogas anti-retrovirais podem reduzir de forma significativa a quantidade de HIV infeccioso no sêmen (carga viral), mas uma porcentagem substancial de homens ainda pode transmitir o vírus sexualmente. A conclusão, publicada na edição de 15 de agosto do Annals of Internal Medicine, é de pesquisadores norte-americanos e brasileiros que analisaram os efeitos dessa drogas na concentração do vírus no sêmen.

As descobertas dos pesquisadores da Escola Superior de Saúde Pública da Universidade de Pittsburgh e da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) dão idéia clara sobre a resistência e potencialidade de transmissão do vírus da Aids durante a terapia.

"Os atuais regimes de drogas são efetivos para reduzir a carga viral no sangue e sêmen de muitos homens, mas uma proporção significativa de pacientes tratados permanece potencialmente infecciosa e continua possuindo um risco para a saúde pública caso não monitore seu comportamento sexual cuidadosamente", comentou Paulo Barroso, professor do Serviço de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina da UFRJ.

Conforme Barroso, o estudo realizado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho no Rio de Janeiro, entre novembro de 1996 e maio de 1998, foi financiado pelo Ministério da Saúde do Brasil e envolveu 93 homens voluntários infectados com HIV. Com exceção de dois, os pacientes não tinham sido submetidos a uma terapia anti-retroviral anterior e a decisão de começar, alterar ou parar a terapia foi deixada sob responsabilidade dos voluntários e seus clínicos particulares.

O pesquisador brasileiro informou que os pacientes foram submetidos ao protocolo de tratamento recomendado pelo Ministério da Saúde do país. Um grupo de 80 pacientes começou o tratamento com um regime duplo de drogas inibidoras da transcriptase reversa que inclui o AZT e a DDI (didanozina). As inibidoras de transcriptase previnem a integração dos genes do HIV com o genoma das células do hospedeiro.

Foi adicionada ao regime de 13 pacientes uma terceira droga inibidora de protease que bloqueia a liberação de partículas infecciosas do HIV maturadas das células imunes infectadas pelo vírus. No final do estudo, 19 pacientes estavam usando o programa triplo de drogas, tendo trocado o regime depois de conselhos dos seus próprios clínicos.

Depois de seis meses de terapia, houve uma redução de 66 por cento no número de pacientes com carga viral detectável no sêmen, sendo que dos 64 pacientes que tinham HIV detectável antes de iniciar a terapia, 44 tiveram níveis indetectáveis depois do tratamento.

Os voluntários que usaram o regime duplo de inibidores de transcriptase também tiveram uma redução estatisticamente significativa na carga viral seminal medida nas visitas feitas no primeiro, segundo, terceiro e sexto mês depois do início da terapia.

O pesquisador brasileiro alerta que apesar dos resultados, um terço dos homens tratados tinha vírus no sêmen depois de seis meses. "A presença do vírus no sêmen não garante que seja a partícula infecciosa mas, hoje, não há nada que permita que uma pessoa infectada por HIV tenha relações sexuais sem proteção sendo fundamental continuar o uso de preservativos em todas as situações, mesmo nos casos em que a carga viral não é detectável", conclui Barroso.

O pesquisador informou que a próxima fase da pesquisa é avaliar se os pacientes que permanecem com carga viral detectável apresentam vírus resistentes aos remédios.

"Em geral, é seguro dizer que homens com carga viral detectável depois de seis meses de terapia tem alta probabilidade de carregar - e possivelmente transmitir sexualmente - HIV infeccioso, pois suspeitamos que o HIV seminal destes homens é resistente à droga, mas estudos definitivos ainda estão em andamento", disse o professor Lee Harrison, diretor do Public Health Infections Disease Lab (Laboratório de Saúde Pública e Doenças Infecciosas) da Universidade de Pittsburgh e autor-sênior do novo estudo.

Sinopse preparada por Reuters Health

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