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Dieta especial pode regredir Parkinson

17 de Junho de 2003 (Bibliomed). Uma simples alteração na dieta de portadores da doença de Parkinson – tirar a carne vermelha e incluir vitamina B2, encontrada principalmente no leite – é capaz não apenas de estagnar a doença como também de regredi-la. Um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo constatou que a recuperação da função motora de 31 pacientes em tratamento no Hospital do Servidor Público Municipal saltou, em média, de 44% para 70% em apenas três meses de tratamento e dieta.

“Os melhores resultados são encontrados nos pacientes que estão nas fases iniciais da doença. Entretanto, existem casos de pessoas que se tratam há muito tempo e que tiveram uma melhora na função motora de 15% para 90% após a intervenção”, disse o pesquisador Cícero Galli Coimbra, que é neurologista e professor livre-docente de Neurologia Experimental da Unifesp. Os dados preliminares da pesquisa foram apresentados no 6º Congresso Internacional sobre doença de Alzheimer e Parkinson, realizado em Sevilha, Espanha, no começo de maio.

O pesquisador explica que é do conhecimento médico que a carne vermelha produz uma substância chamada hemina, extremamente tóxica para as células do organismo, originando a produção de radicais livres. “Para serem eliminados, esses radicais livres precisam de uma substância chamada glutationa que, depois de utilizada, só pode ser recuperada com vitamina B2. A falta da glutationa é a primeira alteração neuroquímica presente nas células cerebrais que estão degenerando com a doença de Parkinson”, explicou.

Com a reposição da vitamina, Coimbra esperava que a doença parasse de progredir, mas ela começou a regredir. O neurologista ainda não sabe explicar se esse fenômeno se deve à neurogênese (processo que leva à formação do sistema nervoso) ou à recuperação de células que não funcionavam, mas encontravam-se ainda vivas na substância negra do encéfalo, principal região afetada pelo processo neurodegenerativo. “De qualquer forma, o nível de recuperação alcançado em tão pouco tempo é surpreendente, pois estima-se que cerca de 60% das células dessa região já foram perdidas quando surgem os primeiros sintomas”, comemorou.

A doença de Parkinson é uma alteração do sistema nervoso central que afeta principalmente o sistema motor, provocando tremores, rigidez muscular e alterações posturais, além de comprometimento de memória, depressão e alterações do sono. Segundo o neurologista João Carlos Papaterra Limongi, do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, apenas 5% dos portadores da doença apresentam forte componente hereditário. Em 20% dos casos é possível identificar uma causa medicamentosa, tóxica, infecciosa ou traumática para o desenvolvimento da doença. Os 75% restantes ainda desafiam a ciência a descobrir a causa.

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