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Pesquisadores discutem nova técnica para mudar critério de alocação de fígados em transplantes

24 de Março de 2003 (Bibliomed). A fila de espera por um transplante de fígado é assustadora. Estima-se que pelo menos 30% dos pacientes morrem durante o período de espera, que é superior a dois anos, devido à desproporção entre a oferta de órgãos e a demanda pelo tratamento. No Estado de São Paulo são realizados 250 transplantes de fígado por ano e existem 2 mil pessoas esperando para serem operadas. A alocação de órgãos para transplante é feita desde 1997 por meio de lista única de espera, organizada por ordem de inscrição, sem levar em conta o estágio da doença.

Para tentar minimizar esse problema, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP) avaliaram o impacto da aplicação de uma classificação inédita no Brasil para alocação de fígados em transplantes – a escala MELD (Model for End-Stage Liver Disease). O estudo foi feito com base nos resultados obtidos em 300 pacientes operados no Hospital das Clínicas (HC), entre 1997 e 2001.

A escala MELD é defendida por alguns transplantadores como alternativa para estabelecer prioridades entre pacientes com doenças hepáticas que necessitem de transplante, permitindo operar primeiro os casos mais graves. “O índice MELD é obtido a partir dos resultados de três exames laboratoriais, evitando a influência de critérios subjetivos”, explicou o professor Paulo Massarollo, um dos coordenadores da pesquisa.

A eventual prioridade para o transplante seria justificada por estudos realizados nos Estados Unidos que confirmam que quanto maior o MELD do paciente, maior as chances dele morrer da doença em menos tempo. Massarollo ressalta, no entanto, que o efeito dos valores de MELD no resultado do tratamento ainda foi pouco investigado.

A pesquisa da USP analisou a sobrevida após o transplante, demonstrando que os pacientes com MELD mais elevado têm maior chance de insucesso. Massarollo ressalta que a eventual adoção do sistema MELD no Brasil depende de testes mais amplos sobre sua eficiência na alocação de órgãos e de discussões dentro da comunidade médica. O texto integral do estudo pode ser acessado no site da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), no endereço www.abto.org.br.

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