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Bactérias têm capacidade de transferir gene que confere resistência a antibióticos

26 de Abril de 2002 (Bibliomed). O Ministério da Saúde, por meio de uma equipe de especialistas, estuda a elaboração de um relatório com propostas de ação para o controle da resistência bacteriana a ser adotado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma descoberta de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) será útil a esses especialistas.

Foi identificado um poderoso mecanismo de proteção contra antibióticos presente em bactérias responsáveis freqüentemente por episódios de infecção hospitalar no Brasil. O fato mais cruel apontado nos resultados desse trabalho é que o gene que confere a resistência a drogas nesses microorganismos pode estar se “disseminando” para outras espécies.

Uma pequena porção do código genético (DNA) que confere a resistência a algumas drogas, presente na bactéria Pseudomonas aeruginosa, teria a capacidade de ser transferida a outros microorganismos. O diretor do Laboratório Especial de Microbiologia Clínica da Unifesp (Lemc), Hélio Sader, diz que a informação, depois de copiada, seria cedida a outra bactéria.

“Por causa de mutações e de uma seleção natural pelo uso excessivo de antimicrobianos, algumas bactérias como a Pseudomonas aeruginosa se tornaram capazes de produzir potentes betalactamases, enzimas que destroem os efeitos dos antibióticos. Essa vantagem evolutiva é preocupante, pois o micróbio sem o fator de resistência já é responsável por altos índices de mortalidade por pneumonia hospitalar”, ressalta uma matéria detalhada sobre o assunto no site da universidade (www.unifesp.br).

Os pesquisadores acreditam que um medicamento, inicialmente potente, poderia até mesmo perder a utilidade em pacientes infectados por bactérias com mecanismos de resistência. Segundo Sader, antibióticos cada vez mais potentes precisam ser empregados e isso provoca maior resistência. Ele explica que as bactérias que, aleatoriamente apresentam um gene protetor contra os antibióticos mais utilizados em um determinado meio, conseguem proliferar.

Além de achar necessária a criação de uma política nacional de avaliação constante de resistência a bactérias, Sader sugere que o País intensifique pesquisas locais para identificação de microorganismos mais freqüentes no hospitais brasileiros. Estudos em laboratórios específicos e de referência para o Ministério da Saúde teriam a função de identificar os antibióticos mais utilizados e listar aqueles que deveriam sofrer restrições de uso. Assim, os profissionais poderiam fazer uso de maneira apropriada das drogas existentes no mercado e a indústria desenvolveria antimicrobianos eficientes e incapazes de promover maior capacidade de resistência.

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