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Córneas Construídas por Bioengenharia São Uma Realidade

NEW YORK, (Reuters Health) – Córneas construídas por bioengenharia estão sendo utilizadas com sucesso para tratamento de pacientes com problemas de córnea, relatam pesquisadores de Taiwan.

Os resultados de seus estudos, publicados na edição do The New England Journal of Medicine, aumentam as esperanças de recuperação da visão de milhares de pessoas com lesões de córneas devido a doenças, queimaduras, infecções ou complicações do uso de lentes de contato.

Uma equipe de oftalmologistas testou um processo onde eles retiravam células epiteliais saudáveis de uma córnea saudável de um paciente, cultivavam estas células em lâminas no laboratório utilizando membrana amniótica (fetal) como suporte, e transplantando as células resultantes para restaurar a córnea danificada do paciente.

O Dr. Ray Jui-Fang Tsai, do Chang Gung Memorial Hospital em Taoyuan, Taiwan, e colaboradores relatam que 1 mês após a cirurgia, os seis pacientes do estudo mostraram superfícies saudáveis na córnea e melhora na clareza visual. Em cinco dos seis olhos (83%), a acuidade visual melhorou de 20/112 para 20/45. A acuidade visual de 20/20 é considerada excelente. Os pesquisadores também observaram que nenhum dos seis pacientes mostrou sinais de complicações potenciais, como inflamação ou desenvolvimento de novos vasos sangüíneos na córnea afetada.

A córnea, uma cobertura externa transparente da parte frontal da superfície ocular que recobre a íris e a pupila pode ser danificada como resultado de doenças, infecções e lentes de contato, fatores estes que levam a córnea a formar cicatrizes, ficando opaca, ou seja, não permitindo que a luz a atravesse.

O Dr. Scott Cherne, do Pacific ClearVision Institute em Eugene, Oregon, disse à Reuters Health que o vírus do herpes simples é a infecção mais comum que leva à lesão das córneas, e que bactérias resultando do uso prolongado de lentes de contato é outra causa. Apesar de incomum, estes são ainda os motivos mais freqüentes que levam à lesão das córneas.

O Dr. Cherne, que se especializou em transplante de córneas, explicou que ele diz a seus pacientes que a córnea é como um “pára-brisa dos olhos, você pode ver através dela, e se ela estiver distorcida ou rachada, sua visão fica prejudicada”.

Apesar do transplante de células do epitélio (superfície) da borda da córnea oposta já seja conhecida como capaz de restaurar a visão, o processo previamente necessitava de retirada de um enxerto grande do olho saudável, e não havia esta possibilidade para pacientes com múltiplas lesões ou cicatrizes. Ás vezes os enxertos não funcionavam porque o novo tecido não se multiplicava sozinho, e a superfície simplesmente não era compatível biologicamente.

O que torna o transplante de córnea um procedimento delicado é a dificuldade de prever se a célula será compatível e disponível em quantidade adequada sobre a superfície projetada por bioengenharia para preencher novamente a superfície do olho. Outro desafio está sendo criar um suporte sobre o qual a superfície da córnea poderia crescer.

A equipe encontrou que o uso de lâminas de membrana amniótica para substituir a superfície da córnea simplificava o manuseio da delicada superfície do olho assim como reduzia o risco de infecções. Mas, o mais importante, eles observaram como a membrana amniótica, já utilizada para reconstrução da superfície ocular, fornecia uma superfície natural sobre a qual as novas células saudáveis poderiam sobreviver, multiplicar e crescer em uma massa celular grande o suficiente para reconstruir a córnea.

Os autores também observaram que o cirurgião não precisava retirar muito tecido do segundo olho, o saudável, porque as células transplantadas teriam a chance de crescer e multiplicar sobre a membrana amniótica.

E como as células usadas no transplante são do próximo paciente, “não é necessário realizar imunossupressão”, escrevem os autores.

Em um editorial acompanhando o estudo, dois peritos dos EUA observam que as córneas construídas por bioengenharia “podem fornecer um novo instrumento para reconstrução de superfícies oculares danificadas que antes seriam impossíveis de reparar”.

Mas os Drs. Ivan R. Schwab e R. Rivkah Isseroff da University of California em Davis, e da Medical School em Sacramento, Califórnia, advertem que “ainda existem desafios” no refinamento da técnica para reduzir os riscos potenciais, e garantir que as células transplantadas irão sobreviver a longo prazo.

Fonte: The New England Journal of Medicine 2000;343:86-93, 137-138.

Sinopse preparada por Reuters Health

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