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Cientistas Minimizam Riscos à Saúde do Urânio Empobrecido

30 de Janeiro de 2001 (Bibliomed). O contato com urânio empobrecido causa câncer? Muitos cientistas acreditam que os níveis de radiação emitidos pela munição com base nesse material, utilizada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nos Bálcãs e na Guerra do Golfo, são muito baixos para serem cancerígenos.

O acompanhamento de 63 veteranos dos EUA, feridos por "fogo amigo" no Iraque, mostram que pedaços de metal com urânio empobrecido, que não puderam ser extraídos cirugicamente de seus corpos, ainda não causaram câncer.

Embora muitos deles tenham altos níveis de urânio na urina, nenhum sofreu problemas de fígado ou câncer, nem tiveram filhos com problemas congênitos, disse Kelley Brix, vice-diretora de pesquisa do Departamento para Veteranos dos EUA.

O argumento utilizado com maior frequência para negar a existência da "síndrome dos Bálcãs" é que a radiação expelida por esse tipo de munição aumentou em apenas 1 por cento o nível de radiação absorvida naturalmente pelas pessoas do solo, da comida e de outras fontes.

"Gostemos ou não, vivemos num mar de urânio. Os soldados estiveram expostos a níveis bem mais baixos de radiação do que os que nos atingem naturalmente", disse John Boice, especialista em radiatividade do Instituto Epidemiológico Internacional, próximo a Washington.

Sua opinião, porém, foi dada antes de que fosse detectada a presença de plutônio altamente radiativo em amostras de munição de urânio empobrecido. A notícia voltou a enfurecer os críticos da Otan, entre eles soldados que estiveram na Bósnia e em Kosovo e estão com câncer.

Cientistas explicam que o urânio, mesmo em sua versão "suavizada", emite partículas alfa, capazes de atravessar os tecidos humanos e causar danos às células.

Apesar disso, Boice argumenta que há muitas provas provenientes de estudos com mineradores de urânio, que apresentaram poucos riscos de ter câncer, mesmo após inalar a poeira dele durante anos.

"Esses trabalhadores ingeriram ou inalaram urânio desde os primeiros anos do Projeto Manhattan (anos 40) e não tiveram problemas de saúde, nem em termos de câncer nem danos aos fígado."

Boice e outros afirmam que os casos de leucemia ocorridos em soldados europeus de missões de paz nos Bálcãs não podem ser atribuídos ao urânio empobrecido, uma vez que a doença leva pelo menos dois anos para se desenvolver.

O Iraque afirma que os bombardeios das forças aliadas em seu território foram responsáveis por um grande aumento nos casos de câncer e de crianças com problemas ao nascer em sua população.

Doug Rokke, pesquisador do Departamento de Defesa norte-americano que foi encarregado de limpar veículos militares atingidos por esse tipo de munição durante a Guerra do Golfo, conta que ele e sua equipe ficaram doentes devido à exposição ao material.

Ele classifica a negativa do governo como uma enorme tentativa de esconder os fatos. Em sua briga para exigir que o governo pague por seu tratamento e o de seus companheiros, afirma que suas doenças são resultantes da "bagunça tóxica" deixada naquele conflito.

"Nós temos câncer, problemas respiratórios, de pele, de fígado, nos olhos, no sistema imunológico, só para mencionar alguns problemas daqueles que ficaram expostos ao urânio empobrecido."

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