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Estudo do Governo dos EUA Associa Trabalho e Dor

22 de Janeiro de 2001 (Bibliomed). Ninguém sabe melhor do quem trabalha a dor que o trabalho pode ser. Agora, um relatório encomendado pelo Congresso dos EUA forneceu a mais forte evidência científica de que pode haver uma associação entre o trabalho e problemas físicos como dor nas costas.

Segundo o relatório, pessoas que trabalham em construções, carpinteiros, operadores de caminhões industriais e tratores encabeçam a lista de profissionais com alto risco para homens. Mulheres que trabalham como enfermeiras, ou têm função similar, ou que fazem faxina também estão mais propensas a terem disfunções músculoesqueléticas.

O relatório, elaborado pelo Conselho Nacional de Pesquisa e pelo Instituto de Medicina das Academias Nacionais, é o mais completo até agora a estabelecer uma associação entre o trabalho e disfunções músculoesqueléticas, articulações, discos da coluna, cartilagem, tendões e ligamentos.

"Cerca de 2.500 artigos científicos relacionando trabalho e disfunções músculoesqueléticas foram separados e revisados antes de o relatório final ser feito", disse Jeremiah A. Barondess, presidente da Academia de Medicina de Nova York, em entrevista à Reuters Health. Barondess presidiu o comitê de 19 cientistas que assinam o relatório.

"O relatório é uma revisão considerável do melhor da ciência relacionado ao elo entre a profissão e dores nas costas e nas extremidades superiores", ele acrescentou.

A equipe de pesquisadores não avaliou somente os fatores estressantes do trabalho, como carregar peso, mas também "levou em conta os aspectos psicológicos e sociais dos indivíduos e como eles contribuíram para os riscos e os resultados, como desenvolver uma dor nas costas, por exemplo", Barondess explicou.

Enquanto fatores como obesidade, idade e tabagismo tiveram um papel significativo no fato de as pessoas desenvolverem ou não problemas músculoesqueléticos, Barondess notou que fatores organizacionais como o grau de controle que a pessoa tinha sobre o seu trabalho, o local de trabalho e a relação com colegas de trabalho "também têm um papel importante".

O relatório enfatiza as exigências do trabalho e relega a segundo plano o trabalhador individualmente.

"Há um relacionamento claro entre o tipo de exigência do local de trabalho -- como levantar peso e se abaixar com frequência, por exemplo -- e dor nas costas," disse um membro do comitê David H. Wegman, da Universidade de Massachusetts, em Lowell, nos EUA, durante uma entrevista.

"As funções que expõem o trabalhador a repetição, vibrações e força excessiva estão mais relacionadas a problemas nos membros superiores, como paralisia, dormência, frieza ou enfraquecimento das mãos e dor nos pulsos", Wegman explicou.

"Ainda estamos tentando entender melhor o papel dos computadores nas lesões das extremidades superiores", ele disse. Finalmente, o relatório analisou vários métodos e estratégias para reduzir o impacto das disfunções músculoesqueléticas nos trabalhadores. Acima de tudo, o envolvimento do trabalhador em encontrar a solução é "muito, muito importante", Barondess comentou.

"Um aspecto importante na intervenção seria redefinir a forma com que o trabalho é realizado para reduzir os fatores estressantes. Elevar uma mesa para ficar na altura da cintura para eliminar a necessidade de se agachar ou limitar a quantidade de peso que precisa ser levantado pode ter resultados positivos importantes", Wegman disse.

Para trabalhadores que ficam diante de computadores o dia todo, é "importante tirar alguns minutos para descansar e estar ciente da posição correta de s teclados".

Em 1999, cerca de 1 milhão de pessoas tiraram licença médica para tratar ou se recuperar de alguma lesão muscular relacionada ao trabalho ou de dores nas articulações ou problemas de funcionamento da porção inferior das costas ou das extremidades superiores, segundo o relatório.

Distúrbios músculoesqueléticos são responsáveis por cerca de 70 milhões de consultas médicas anualmente nos Estados Unidos e estima-se que por 130 milhões de visitas médicas, incluindo atendimento ambulatorial, hospitalar ou em pronto-socorro, o resumo do relatório informou.

"Esse é um assunto muito sério que precisa ser discutido", Wegman disse à Reuters Health. "Esse relatório fornece evidência científica necessária para apoiar e julgar algumas políticas, assim como estabelecer um programa de pesquisa científica no futuro."

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