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Argentinos Devem Testar em Humanos Terapia Nuclear Anti-Câncer

29 de Dezembro de 2000 (Bibliomed). Um grupo de cientistas argentinos testará no ano que vem em humanos, pela primeira vez na América Latina, um novíssimo método que utiliza energia nuclear para combater o câncer de pele e de cérebro. O projeto, chamado "Boron Neutron Capture Therapy" (terapia de captura de nêutrons de boro), começou na Argentina há quase quatro anos e consiste basicamente em atacar os tumores cancerígenos com um bombardeio de nêutrons gerados em um reator nuclear.

"O que se conseguiu até agora com esta técnica experimental é uma melhor qualidade de vida, mas não muito mais tempo de vida", disse na quarta-feira Osvaldo Calzetta, físico e chefe do reator do Centro Atômico Bariloche, da estatal argentina Comissão Nacional de Energia Atômica.

"Este tratamento é feito uma vez, a irradiação dura cerca de 40 minutos e a droga injetada algumas horas, comparado com qualquer outro método de radioterapia que dura três ou quatro semanas", acrescentou.

O tratamento já é adotado no Japão, Estados Unidos e alguns países da Europa. A Argentina será o primeiro país da América Latina a colocá-lo em prática.

"Nossa tecnologia nuclear está muito avançada e é comparável a de países desenvolvidos", disse à Reuters Sara Liberman, química e coordenadora do projeto.

Até o momento, os cientistas argentinos fizeram experimentos em camundongos, mas devem começar a irradiar humanos com tumores de pele no próximo ano.

Calzetta explicou que o projeto está em fase experimental e que os pacientes com câncer de pele que serão tratados serão selecionados cuidadosamente para que os resultados possam ser bem avaliados.

"Vamos começar com melanomas nas extremidades, ou seja, nos braços e nas pernas, porque existem casos que são resistentes aos tratamentos convencionais e há resultados muito animadores", declarou Liberman.

A coordenadora do projeto explicou que este método pode chegar a substituir a quimioterapia, "dependendo do caso". O tratamento é baseado na reação que se produz quando os nêutrons bombardeados encontram-se com o elemento boro, o qual o paciente deve ingerir. Quando o nêutron e o boro se unem, acontece uma reação nuclear que emite duas partículas de muita energia provocando um dano muito grande na célula cancerígena.

"Isso é o que se chama de tratamento binário (...). Existe um composto formado por boro e outra parte que é uma irradiação com nêutrons (...). A união das duas coisas torna o ambiente muito tóxico para o tumor e muito pouco perigoso para o tecido são", explicou Calzetta.

Atualmente, os cientistas estudam, por um lado, como fazer para irradiar somente o tumor e não o tecido são. Por outro, querem saber quais são os limites do tecido são para que não fique com danos permanentes.

"No caso dos tumores cerebrais, a idéia é que se deve operar o tumor em primeiro lugar, mas como ele geralmente está muito ramificado existem prolongamentos que não podem ser operados", explicou Liberman.

"Assim, a intenção desse método é chegar até as ramificações e matar o tumor. Em uma segunda etapa se faz a irradiação com nêutrons", acrescentou.

A pesquisa foi desenvolvida por um grupo interdisciplinar de físicos, químicos e médicos argentinos, em colaboração com o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE).

Liberman explicou que até o momento todas as irradiações foram feitas em reatores nucleares, mas disse que seu grupo está trabalhando em sobre a possibilidade de uso, no futuro, de aceleradores que pudessem ser instalados em hospitais.

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