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Cientistas Transformam Células Sanguíneas em Neurônios

Por Maggie Fox

WASHINGTON (Reuters) - A medula óssea pode ser uma fonte acessível de novos neurônios, oferecendo tratamentos para uma variedade de doenças, de derrame a Alzheimer, afirmaram cientistas na quinta-feira.

De acordo com os pesquisadores, testes em camundongos sugerem que células-tronco da medula óssea -- uma espécie de células mestras com a capacidade de se desenvolver em diversos tipos de células -- podem se transformar em neurônios.

Isso pode significar que transplantes de medula óssea, já usados para tratar o câncer, poderão ser usados para ajudar pessoas com doenças e lesões cerebrais, disse Eva Mezey, do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame (Ninds).

"Realmente acredito que esse é um começo bastante encorajador e irá ajudar pessoas com doenças que não têm cura", afirmou Mezey, que coordenou um dos dois estudos que serão publicados na edição de sexta-feira da revista Science.

Células-tronco são uma nova área promissora da pesquisa médica pois podem reparar e até mesmo regenerar tecidos e órgãos. Estas células são difíceis de ser encontradas e cientistas ainda desconhecem os sinais químicos que fazem uma célula-tronco tornar-se um neurônio, por exemplo.

Até agora, a única fonte conveniente de células-tronco é a medula óssea, que gera glóbulos vermelhos e células sanguíneas brancas do sistema imunológico.

Durante o estudo, Mezey e sua equipe analisaram a origem de células microgliais, que ajudam células do sistema imunológico a fazer seu trabalho no tecido nervoso.

Ao analisar amostras cerebrais de animais, a pesquisadora encontrou células que pareciam ter vindo da medula óssea, imaginando que esta deveria ter sido a fonte das novas células do sistema nervoso central.

Para testar sua hipótese, Mezey usou camundongos geneticamente modificados para não terem células do sistema imunológico. Estes animais também não tinham as células microgliais e iriam morrer logo após o nascimento caso não recebessem um transplante de medula óssea.

Propositadamente, Mezey e sua equipe escolheram fêmeas de camundongos para receber transplantes de machos. Após o procedimento, os pesquisadores analisaram as células carregando o cromossomo Y, que somente machos possuem, nas fêmeas de camundongos.

Os cientistas descobriram que essas células estavam presentes em todo o organismo das fêmeas -- no sistema imunológico, conforme o esperado, mas também no cérebro.

Havia não só células microgliais, mas neurônios, disseram os pesquisadores, que desenvolveram o estudo em conjunto com uma equipe da empresa biofarmacêutica Neurocrine Biosciences, em San Diego.

Uma segunda pesquisa, da Universidade de Standford, na Califórnia, também publicada na Science, confirmou a hipótese de Mezey e sua equipe.

Sinopse preparada por Reuters Health

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