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Artigos de saúde

Obesidade e Coração

Especialista Receita Abordagem Familiar Junto ao Paciente

A obesidade e/ou fatores genéticos do indivíduo podem levar ao aumento da resistência à insulina ou a um quadro de hiperinsulinemia, fator metabólico que – acionado por um “gatilho” (impulso externo do ambiente em que vive a pessoa) – pode desencadear o desenvolvimento de fatores de risco para a aterosclerose, como a hipertensão arterial, a diabetes, as dislipidemias e a própria obesidade. Estas, por sua vez, podem gerar um quadro de doença coronariana ou acidente vascular cerebral, de acordo com algum “gatilho” ou com a existência ou não no cotidiano do indivíduo de alguns elementos prejudiciais: tabagismo, obesidade, sedentarismo, estresse, entre outros.

“Hoje em dia, sabe-se que a hiperinsulinemia e/ou a resistência à insulina é o elemento de conjugação destes fatores de risco (obesidade, dislipidemia, hipertensão e diabetes). A pessoa nasce com predisposição para desenvolver determinado tipo de doença. De acordo com o ambiente, ela desenvolve uma ou várias patologias. Em algum momento, sofre um ‘gatilho’ que desencadeia todo este processo”. A explicação é da Dra. Andréia Loures-Vale, presidente do Comitê de Dislipidemias da Sociedade Mineira de Cardiologia; membro do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e responsável pelo Departamento de Aterosclerose do Hospital Socor. Segundo ela, existe um trabalho feito em Utah (Estados Unidos) mostrando uma relação entre os fatores de risco para a doença de aterosclerose. “Cerca de 40% dos hipertensos, nos casos estudados, têm dislipidemias e vice-versa. Pode haver uma interligação”, afirma.

A obesidade, segundo a médica, possui grande importância no agravamento deste contexto já que pode ser responsável pelo quadro de alteração metabólica citado e pelo desencadeamento dos fatores de risco para a aterosclerose, além de poder gerar alguns tipos de câncer e uma sobrecarga do sistema cardiovascular, pois o esforço implementado pelo coração para bombear o sangue para todo o organismo é muito maior. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a obesidade como doença de saúde pública. Nos Estados Unidos, mais de 50% da população é obesa; no Brasil este nível chega a alcançar 35%”, destaca a cardiologista fazendo um alerta à classe médica no sentido de não se ser passivo diante do obeso. “É importante uma mudança de postura dos especialistas. Nós temos que adotar uma posição de intervenção junto a este quadro. Não uma interferência autoritária, mas sim através de argumentos: o paciente deve entender que determinadas ações tomadas pelo médico diminuem o risco para outros fatores de risco e doenças. Devemos enfocar o ponto de vista do paciente. Não pode ser algo ‘massificado’ como receita de bolo. Hoje em dia, temos à nossa disposição dados, estatísticas, informações, argumentos, etc. que podem nos auxiliar no momento de se convencer o paciente sobre nossas orientações”.

Multidisciplinar

Para ajudar o trabalho do cardiologista neste sentido, a médica aconselha que seja adotada uma abordagem multidisciplinar junto ao paciente, contando com a participação de: psicólogos, fisioterapeutas, médicos, endocrinologistas, professores de educação física e nutricionistas. “O cardiologista não reina e não pode reinar sozinho no que diz respeito à obesidade. Nós precisamos da ajuda destes profissionais para que se dê uma assistência efetiva e individual. Esta palavra – individual – é muito importante: cada caso é um caso com suas respectivas peculiaridades”, explica a cardiologista.

No que diz respeito ao tratamento, toda a parte não farmacológica é essencial: exercício físico gradual; dieta adequada; ou seja, uma mudança no estilo de vida, informa a médica afirmando que em casos mais graves adotam-se os medicamentos e, em último caso, a intervenção cirúrgica. “Não adianta dar medicamento e fazer cirurgia se o paciente não quiser mudar os hábitos de seu cotidiano”. Neste contexto, se insere a importância – segundo a especialista – de uma abordagem familiar: “Ele tem que se tratar não só por si próprio, mas pela família. O histórico genético também deve ser observado”.

Para saber se uma pessoa é obesa ou não, é preciso que se calcule seu Índice de Massa Corpórea (IMC) através da seguinte equação: peso dividido pela altura ao quadrado (P/h2). Se o resultado for um número maior do que 30, a pessoa é considerada obesa; entre 26 e 30, sobrepeso. Atualmente, também tem sido utilizado um outro cálculo para se saber a obesidade visceral da pessoa: relação cintura/quadril, a medida da cintura é dividida pela medida do quadril e em média a pessoa é dada como obesa se o resultado, nas mulheres, for acima de 0,8 e nos homens acima de 0,9. “Um índice complementa o outro. A obesidade visceral chega a representar um risco individual maior da doença coronariana”, afirma a especialista.

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