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Artigos de saúde

Idosos: prevenção na saúde bucal

Marco Tulio Pettinato Pereira
Cirurgião-dentista com especialização em Saúde da família (UCAM), Saúde Coletiva (SL Mandic) e Saúde Pública (UNAERP)
marcotuliopettinatopereira@yahoo.com
Fernando Luiz Brunetti Montenegro
Mestre e Doutor FOUSP, Prof. Adjunto na UnG, Coordenador Saúde Bucal CEDPES e Casa Ondina Lobo

Uma doença que ocorre com frequência com idosos é a doença periodontal. Ela acomete os tecidos em torno dos dentes e quase sempre é indolor. E devido a isto, quando percebe-se que tem a doença periodontal, já ocorreu uma boa perda óssea nos dentes afetados. Ela tem como agente causador a placa bacteriana que se acumula sobre as superfícies do esmalte dentário e no sulco gengival (fica na margem gengival entre a parte branca do dente e o tecido gengival) e isto vai formar o tártaro com o passar dos meses.

A prevenção da doença periodontal, assim como a cárie dentária, é conseguida através da remoção eficiente da placa bacteriana a cada refeição. Para prevenir estas doenças é fundamental uma higiene bucal bem executada, através do uso de dispositivos como escova, fio dental, escova interdental, pastas dentais fluoretadas, soluções para bochecho com flúor (enxaguatórios bucais ) e limpadores de língua.

Em relação ao tipo de escova, esta deve ser individualizada, mas recomenda-se escova de textura macia, com "cerdas planas" (parte ativa sem curvatura). Em relação ao tipo de cabo da escova, recomenda-se o do tipo reto. A frequência da escovação deve ser imediatamente ou até 30 minutos após a ingestão de alimentos.

A escovação requer o emprego de técnicas adequadas, e no caso dos idosos que possuem boa coordenação motora, a seguinte técnica é uma das mais recomendadas:

a) Começar limpando as superfícies internas dos dentes inferiores (que ficam embaixo no fundo da boca do lado e na frente da língua), sendo que a escovação deve ser realizada segurando a escova verticalmente em um ângulo de 45 graus em direção a linha gengival e usar movimentos rítmicos suaves para cima e para baixo com a ponta da cabeça da escova;

b) Depois limpar as superfícies externas dos dentes inferiores, que ficam localizadas embaixo ao lado das bochechas e atrás do lábio inferior da boca. Usar movimentos rítmicos suaves e curtos, movendo a escova para trás e para frente contra os dentes e a gengiva;

b) Após isto, limpar as superfícies internas dos dentes superiores, que ficam em cima no fundo da boca e nas superfícies internas dos dentes da frente e depois as superfícies externas dos dentes superiores, que ficam no fundo da boca ao lado das bochechas e atrás do lábio superior da boca. Durante toda a escovação nunca se esquecer da margem gengival e os dentes posteriores, que são os mais difíceis de alcançar e para as áreas situadas ao redor de restaurações e coroas;

c) Depois de limpar todas as superfícies internas e externas dos dentes, deve-se limpar as superfícies de mastigação tanto em cima como em baixo das arcadas dentárias, concentrando-se na limpeza de cada setor da boca.

Nas regiões entre os dentes é importante também a utilização do fio dental ou da escova interdental, pois removem a placa bacteriana e alimentos que ficam nestas regiões e abaixo das gengivas. Para idosos que tem boa coordenação motora, deve-se utilizar o fio dental da seguinte forma: Enrolar aproximadamente 50 cm de fio dental nos dedos médios, segurando-o com o polegar e o indicador. Passar o fio dental esticado entre os dentes, nos sentidos horizontal e vertical alternadamente. Penetrar um pouco o fio na gengiva e deslizar em movimentos suaves. O fio dental deve ser utilizado após as refeições, depois de escovar os dentes. Além disto, existem no mercado suportes em forma de Y que facilitam o uso do fio dental. E em áreas da boca inacessíveis, como nos espaços que se localizam entre coroas fixas, deve-se utilizar do passador de fio dental, assim como da escova interdental. Mas é importante ressaltar que no caso específico dos idosos, a escova interdental é muito eficiente e mais fácil de usar do que o fio dental e, portanto, é mais recomendada. Mas o tipo de escova interdental (por exemplo o tamanho), deve ser individualizado, sendo que o dentista é quem irá escolher a escova que melhor se adapte ao idoso para que depois ele possa comprá-la em uma farmácia ou supermercado.

Deve-se escovar também a língua, pois é um local onde muitas bactérias ficam alojadas e costumam ficar restos de alimentos, e que proporcionará um hálito agradável. Neste caso, o uso de limpador de plástico de língua, uma vez por dia, é extremamente importante para os idosos em geral. E quanto mais os idosos forem dependentes de pessoas cuidadoras para a realização da higienização, mais importante é o uso do limpador de plástico. Deve-se utilizá-lo da seguinte forma:

a) Deve-se colocar a língua para fora;

b) Limpar suavemente da parte posterior da língua até a parte anterior (ponta da língua);

c) Deve-se limpar de uma lateral, e seguindo com a limpeza do corpo da língua e chegar até a lateral oposta.

Para idosos incapacitados, isto é, que não possuem boa coordenação motora, os cuidadores deverão realizar a higienizaçao destes, através da escovação com movimentos circulares em todas as faces (os lados) dos dentes.

Como complementares na escovação temos as pastas dentais. Podemos citar as seguintes pastas dentais: a) ANTICÁRIE (tem flúor em sua composição e em longo prazo previne contra as cáries);

b) ANTITÁRTARO com pirofosfato (substância que impede a formação de tártaro, mas não remove o tártaro que já existe);

c) ANTIPLACA com triclosan (um antimicrobiano, e é indicada especialmente para pessoas com gengivite). No caso dos idosos, o uso da pasta dental anticárie é muito importante, mas deve-se sempre seguir a orientação do dentista para saber qual é recomendada.

Como complementares na escovação temos também os enxaguatórios bucais. Eles são substâncias químicas que atuam nas bactérias presentes na cavidade bucal, sendo utilizados para controle e na redução da formação da placa bacteriana. Os idosos só devem utilizá-los de acordo com a prescrição feita pelo dentista, e que deve orientar quanto à forma e tempo de uso no seu caso em particular.

Para a grande maioria dos idosos dentados os bochechos à base de flúor são os mais indicados, e cada empresa possui um tipo de produto com uma determinada concentração (na maioria com mais de 200 PPM de flúor). Os idosos dentados devem, após uma higienização correta dos dentes, utilizá-los uma vez por dia, antes de dormir. E desta forma, já será o suficiente para proteger as raízes expostas dos dentes.

Os enxaguatórios realizam uma função importante para idosos com problemas motores, no caso daqueles com Mal de Parkinson e doença de Alzheimer, e então não conseguem fazer uma escovação adequada, sendo aí usados aqueles à base de Gluconato de Clorhexidina após cada limpeza dos dentes. Nos ambientes hospitalares (UTIs), é imprescindível que um parente (ou cuidador) leve para a enfermagem este tipo de medicamento, pois normalmente não estão disponíveis nestas entidades.

Vale lembrar que o uso contínuo dos enxaguatórios é contra-indicado para idosos que não sejam capazes de utilizar o medicamento sem acompanhamento (cuidador), pois existe o perigo de deglutição.

Mas é importante enfatizar que o uso dos enxaguatórios bucais deve ser racional, ou seja, indicado somente nos casos recomendados pelo dentista.

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