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Fobias e Seus Tratamentos: Parte 2

Nas palavras do Prof. Dr. Mario Rodrigues Louzã Neto, médico-psiquiatra, as fobias atingem cerca de 10% da população. "Em geral, surgem na infância ou adolescência, persistindo na idade adulta se não são tratadas adequadamente", explica. Ele informa que as fobias acometem mais freqüentemente nas pessoas do sexo feminino (com exceção da fobia social, que atinge igualmente homens e mulheres).

Os tratamentos das diferentes formas de fobias diferem bastante conforme a linha que se siga. Assim, a abordagem psiquiátrica difere da psicanalítica tanto na compreensão das origens, como no estabelecimento das formas de se tratar. Outras linhas psicológicas encaram o tratamento das fobias através de diferentes técnicas.

Por exemplo, para a Psicologia Comportamental, ou Behaviorismo, os sintomas podem ser tratados pela dessensibilização. Gradativamente, o paciente vai sendo exposto aos objetos ansiógenos até que possa se defrontar com o principal objeto de sua fobia. Por exemplo, na Síndrome do Pânico, uma pessoa que tenha medo de sair de casa, pode ser levada por alguém de sua confiança até a porta, passando um tempo lá, depois chegando até o portão da casa, até a calçada, até que finalmente possa voltar a sair.

Do ponto de vista psicanalítico, no entanto, esta abordagem é limitada, uma vez que trata apenas o sintoma e não considera as origens da neurose. Sendo assim, a manifestação tende a surgir em outros sintomas.

Medicações

Os sintomas físicos das fobias podem ser tratados com o auxílio de medicamentos específicos. Há situações em que o primeiro remédio não produz resultado. Isso não quer dizer que se trata de um caso incurável. Na maioria das vezes basta trocar de medicação. Evidentemente, as medicações não devem ser interrompidas por conta própria, ou seja, a avaliação das dosagens e freqüência de administração, deve ser realizada por médicos.

Quanto à Síndrome do Pânico, uma das formas mais graves de fobia, é claro, para o Professor Mário, que se trata de uma doença onde é evidente a necessidade da associação das abordagens farmacológica e psicoterápica no tratamento do paciente. "Os ataques de pânico podem ser controlados com medicamentos antidepressivos em baixas doses. Já os sintomas fóbicos raramente melhoram espontaneamente, mesmo após o controle das crises, requerendo uma abordagem psicoterápica", explica o professor.

O psiquiatra prossegue dizendo que os medicamentos antidepressivos, em especial os de ação predominante no sistema serotoninérgico, e os benzodiazepínicos propiciam melhora rápida dos ataques de pânico. Os sintomas, geralmente, são superados em algumas semanas, pela maioria dos pacientes.

Já outros tipos de fobia exigem tratamentos psicoterápicos, a fim de que o paciente possa retomar sua vida cotidiana. "Aspectos relacionados à psicodinâmica da personalidade serão aprofundados visando explorar situações de conflito que possam ser desencadeadoras das crises", complementa o Dr. Mário. Ainda segundo o psiquiatra, é tarefa do psicoterapeuta auxiliar a pessoa a construir referências internas que possam promover melhor integração das vivências, preenchendo o espaço vazio que tanto a angustia.

Psicanálise

No início do século, quando começou a escrever sobre a sexualidade infantil, Sigmund Freud chocou a sociedade vitoriana da época ao apontar aspectos nunca dantes cogitados, tais como a presença de excitação sexual, estimulação genital infantil (masturbação) e seus decorrentes medos, angústias e conflitos. Mais tarde, tudo isso volta a ser equacionado com a famosa teorização sobre o complexo de Édipo. A primeira criança a ser atendida através do método psicanalítico foi Hanns, menino que apresentava um quadro fóbico bastante incrementado.

Segundo o psicanalista Fernando Falabella Tavares de Lima, do Núcleo de Estudos e Temas em Psicanálise, Netpsi, "as fobias estão relacionadas às excitações sexuais e às culpas delas decorrentes. Elas fazem parte do grupo das neuroses, onde também se encontram as histerias e as neuroses obsessivas. O que está em jogo numa neurose é o conflito existente entre o desejo pelo prazer e os mecanismos defensivos contrários a esse desejo. A base das neuroses é a repressão de uma idéia que causa conflito".

Ao longo de sua obra, Freud desenvolveu duas teorias sobre a origem da angústia, logo das próprias fobias. Na primeira, ele ressalta que a pulsão sexual, ou libido, é transformada em angústia, como decorrência de um conflito. Por exemplo, a libido que estava colocada em um objeto de amor que causava um conflito, no caso os pais, é redirecionada para um outro objeto que passa a ser temido (especificamente, para o menino Hanns, a fobia passou a ser de cavalos e seus correlatos, carruagens, etc.). Somente em 1926, Freud formula a segunda teoria sobre a angústia: é o medo da castração que vai produzir a repressão da idéia conflituosa, assim, toda a angústia se relaciona à castração e aos seus medos.

Segundo o psicanalista francês Jean Laplanche, no Vocabulário de Psicanálise, a Neurose de Angústia é uma neurose atual, caracterizada pela acumulação de uma excitação sexual que se transformaria diretamente em sintoma, sem passar pelo psiquismo. Essa Neurose não deve ser confundida com a Histeria de Angústia (outro nome dado à fobia, por Freud, para destacar as suas semelhanças com as demais histerias, como a de conversão).

Contudo, hoje, para se compreender a manifestação dos sintomas fóbicos, que surgem nos consultórios, as duas teorias da angústia se complementam. Assim, os quadros de fobia, sejam de que tipo for, devem ser tratados com a mesma técnica, ou seja, nas palavras do psicanalista Fernando, "para a Psicanálise, está em jogo o desejo sexual, as culpas e, a partir daí, surgem os sintomas neuróticos. A Psicanálise vai estar lidando com todos esses aspectos inconscientes, ampliando a rede associativa das pessoas, para que os conflitos possam ser compreendidos e superados, eliminando-se, assim, os sintomas fóbicos".

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