Notícias de saúde
06 de fevereiro de 2026 (Bibliomed). Há notícias potencialmente animadoras de um ensaio clínico realizado em macacos: uma única dose de terapia genética administrada a macacos recém-nascidos parece protegê-los do HIV, o vírus que causa a AIDS, por pelo menos três anos. É claro que estudos realizados em animais nem sempre se repetem em humanos. Mas os cientistas da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, afirmam que, se isso acontecer, poderá salvar a vida de bebês e crianças ainda ameaçadas pelo HIV. Os autores do estudo estimam que mais de 100.000 crianças em todo o mundo, principalmente na África Subsaariana, contraem o HIV logo após o nascimento, principalmente por meio da amamentação com uma mãe HIV positiva.
O novo trabalho se baseia na noção de que, nas primeiras semanas de vida de um primata — os humanos também são primatas —, o sistema imunológico do corpo é naturalmente mais tolerante a "invasores", incluindo terapias genéticas. A pesquisa se concentrou em uma forma comprovada de terapia gênica para combater o HIV. Ela funciona reprogramando as células para produzirem continuamente anticorpos que combatem o HIV.
A terapia genética foi acoplada a um vírus adeno-associado (AAV) inofensivo para ajudar a entregá-la às células musculares de macacos rhesus recém-nascidos. As células musculares foram escolhidas por serem particularmente longevas. A terapia genética instrui essas células a produzirem anticorpos amplamente neutralizantes, ou bNAbs, que são capazes de neutralizar múltiplas cepas do HIV.
Não é a primeira vez que anticorpos neutralizantes de amplo espectro (bNAbs) são usados em terapia gênica para combater o HIV. No entanto, em ensaios anteriores, injeções repetidas eram necessárias para manter o sistema imunológico vigilante. No novo ensaio clínico, os pesquisadores transformaram essas células musculares — que têm longa vida — em microfábricas que continuam produzindo esses anticorpos. Contudo, quando essa abordagem é usada em macacos mais velhos, o sistema imunológico robusto desses animais se volta contra a terapia, interrompendo-a.
Isso não aconteceu quando os pesquisadores o introduziram durante as primeiras semanas de vida de um macaco. Todos os macacos que receberam uma única dose de terapia com anticorpos neutralizantes de amplo espectro (bNAbs) logo após o nascimento ficaram protegidos da infecção pelo HIV por pelo menos três anos, sem necessidade de dose de reforço. Isso equivale aproximadamente a um tratamento que poderia prevenir o HIV em humanos até a adolescência avançada. Se a terapia genética fosse administrada um pouco mais tarde — entre 8 e 12 semanas após o nascimento — o sistema imunológico mais desenvolvido do jovem macaco entrava em ação para combatê-la, diminuindo sua eficácia.
Segundo os pesquisadores, aplicar a injeção logo após o nascimento pareceu fundamental, pois em países pobres este é um dos poucos momentos em que mães com HIV podem ter acesso a médicos. Para eles, desde que o tratamento seja administrado próximo ao parto, o sistema imunológico do bebê o aceitará e o considerará parte de si mesmo.
Fonte: Nature. DOI: 10.1038/s41586-025-09330-2.
Copyright © 2026 Bibliomed, Inc.
Veja também
todas as notícias