Ampliação de lista de comorbidades pode aumentar o número de cirurgias bariátricas desnecessárias

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Saúde da família

obesidade4Em janeiro de 2016, o Conselho Federal de Medicina ampliou a relação de comorbidades que podem ser indicativas para cirurgia bariátrica. Contudo, alguns pesquisadores acreditam que a Resolução nº 2.131/15 pode levar à indicação desnecessária do procedimento.

De acordo com o novo documento, a cirurgia bariátrica pode ser indicada em casos de pacientes com índice de massa corporal (IMC) acima de 40 kg/m2, ou aqueles com IMC acima de 35 kg/m2 associado à comorbidades relacionadas ao excesso de peso.

Para esses pacientes, a resolução anterior indicava o procedimento cirúrgico somente para aqueles “afetados por comorbidades que ameacem a vida, tais como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão arterial, dislipidemia, doença coronariana, osteoartrites e outras”. A essa lista, pela nova resolução, foram acrescentadas as seguintes doenças: “doenças cardiovasculares incluindo doença arterial coronariana, infarto de miocárdio (IM), angina, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), acidente vascular cerebral, hipertensão e fibrilação atrial, cardiomiopatia dilatada, cor pulmonale e síndrome de hipoventilação, asma grave não controlada, osteoartroses, hérnias discais, refluxo gastroesofageano com indicação cirúrgica, colecistopatia calculosa, pancreatites agudas de repetição, esteatose hepática, incontinência urinária de esforço na mulher, infertilidade masculina e feminina, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, veias varicosas e doença hemorroidária, hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebri), estigmatização social e depressão”.

Para especialistas que defendem a nova resolução, a inclusão de doenças foi necessária para especificar a palavra “outras” presente no texto anterior, que, para eles, era muito “vaga”. Já aqueles que são contrários à resolução alegam que a lista ficou muito ampla, o que pode gerar uma banalização do procedimento, ou seja, pessoas que antes não seriam candidatas à cirurgia, poderiam agora operar sem necessidade. Além disso, os especialistas destacam que algumas das condições listadas não vão, necessariamente, melhorar com a cirurgia.

A Resolução nº 2.131/15 mudou, também, a idade mínima para a realização da cirurgia: de 18 anos para 16 anos.

Fonte: Medscape, 16 de maio de 2016

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