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Cyberbullying pode ser fator em suicídio de jovens

24 de outubro de 2012 (Bibliomed).Um novo estudo analisou 41 casos de suicídio relacionados ao cyberbullying, revelando um status de vitimização e de saúde mental.

O cyberbullying é definido como o uso de meios eletrônicos – como a internet e mensagens de celular – como uma extensão do bullying tradicional. Dessa forma, as vítimas sofrem com diversas formas de ataque, sendo que uma porcentagem alta dessas pessoas enfrenta distúrbios alimentares e de humor.

Pesquisadores da Universidade Dalhousie, no Canadá, desenvolveram um estudo onde eles usaram o Google e o Factiva para investigar casos de suicídio relacionados a essa forma de ataque entre janeiro de 2003 e maio de 2012. Casos onde o cyberbullying não foi determinado como fator, ou onde as informações eram insuficientes, foram desconsiderados.

Uma análise exploratória avaliou dados demográficos, datas, localidade, condições mentais da vítima, co-ocorrência de cyberbullying e de bullying tradicional e o tipo de mídia utilizada pelo agressor.

Foram identificados 24 mulheres e 17 homens entre as idades de 13 e 18 anos, sendo que não foram encontrados adultos que tinham se matado devido a essa forma de agressão. Os locais dos suicídios foram os Estados Unidos (n=26), Austrália (n=6), Reino Unido (n=5) e Canadá (n=4).

Dentre esses casos, 24% dos adolescentes sofriam ataques homofóbicos. 12% dos indivíduos analisados foram identificados como homossexuais. O restante foi identificado como heterossexual ou sem preferência sexual determinada.

Os pesquisadores notaram que houve um aumento de ocorrência de suicídios nos anos recentes. Apenas dois casos ou menos aconteceram anualmente entre 2003 e 2007, havendo seis em 2008, treze em 2011 e cinco nos primeiros três meses de 2012. 44% dos suicídios ocorreram recentemente (entre janeiro de 2011 e abril de 2012) e 56% aconteceram entre 2003 e 2010.

Os meses de maior incidência foram janeiro (n=7), setembro (n=6) e abril (n=5). Apesar de esses dados não serem estatisticamente significativos nessa amostra pequena, os pesquisadores acreditam que essa prevalência pode ter ocorrido por esses serem meses de volta às aulas após as férias.

Os pesquisadores observaram também o padrão da ocorrência do bullying, que na maioria dos casos não acontecia apenas através de mídias eletrônicas. Apenas 17% casos se encaixaram nessa categoria. Os outros jovens enfrentavam esse problema online e também na escola.

As mídias mais citadas foram o Facebook e o Formspring, que foram especialmente mencionados em 21 casos. Mensagens de vídeo ou de texto foram citadas em 14 casos.

De acordo com Harold Magalnick, que comentou os resultados na apresentação do estudo, é necessário aumentar esforços para ajudar indivíduos enfrentando esse problema. Esses jovens estão lidando com um problema muito difícil, em uma fase da vida de desenvolvimento psicossocial vulnerável. Além disso, é preciso prevenir as agressões através da educação. Desde muito cedo crianças têm telefones celulares, o que dá ainda mais oportunidades de bullying. O agressor costumava ser uma criança específica na escola, mas agora ele é anônimo, fazendo com que a ameaça seja maior, já que as crianças não sabem mais contra quem elas estão lutando.

O autor do estudo, John Leblanc, afirma que não existem intervenções que comprovadamente previnem o cyberbullying. Por isso é necessário que profissionais da saúde e da educação destinem mais cuidados ao problema, desenvolvendo estratégias que protejam os jovens.

A pesquisa foi apresentada na 2012 American Academy of Pediatrics (AAP) National Conference and Exhibition, que aconteceu entre 19 e 23 de outubro em New Orleans, EUA.

Fonte:  2012 American Academy of Pediatrics (AAP) National Conference and Exhibition, 19 a 23 de outubro, New Orleans, EUA.

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