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Descoberto Mecanismo de Sobrevivência de Parasita da Malária

Por Patricia Reaney

LONDRES (Reuters) - Pesquisadores descobriram como o parasita da malária se alimenta em células sanguíneas humanas, uma revelação que pode levar a novos tratamentos da doença, que mata mais de 1 milhão de pessoas anualmente no mundo.

Os pesquisadores conseguiram compreender como o parasita sobrevive e cresce em seu hospedeiro humano.

Eles descobriram que mais de 2.000 orifícios semelhantes a poros nas membranas de glóbulos vermelhos infectados fornecem os nutrientes necessários ao parasita transmitido pelo mosquito, o "Plasmodium falciparum".

Cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos afirmaram que a descoberta dos chamados canais de alimentação pode levar a novos avanços no combate à doença.

"Há cerca de 25 anos, sabe-se que os parasitas aumentam a absorção de certos nutrientes, mas o mecanismo era desconhecido", disse Sanjay Desai.

"Com essa informação, os pesquisadores podem conseguir desenvolver drogas que cortam o suprimento de nutrientes ao parasita", acrescentou.

Desai, especialista em malária no Laboratório de Doenças Parasitárias do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid), em Maryland, utilizou uma técnica chamada eletrofisiologia para descobrir e analisar os canais, presentes somente em glóbulos vermelhos infectados.

Os orifícios são feitos de proteínas especializadas que permitem somente a passagem dos nutrientes certos para o parasita. Os pesquisadores não sabem ainda se o parasita modifica uma proteína na membrana da célula para criar o canal ou se ela traz uma nova proteína e a incorpora à membrana da célula.

Caso uma nova proteína seja acrescentada à superfície celular, este pode ser um alvo para drogas desenvolvidas para bloquear os canais de alimentação e impedir que o parasita se alimente, levando-o à morte.

Anthony Fauci, diretor do Niaid, descreveu a pesquisa na revista Nature como um grande avanço. "Esta descoberta é um importante passo para nossa compreensão da malária e a busca de novas intervenções para reduzir o peso desta doença devastadora", afirmou Fauci em um pronunciamento.

A malária é a doença tropical mais predominante no mundo, atingindo 300 a 500 milhões de pessoas todo ano. Mais de 40 por cento da população mundial vive em países onde a malária é endêmica, sendo que 90 por cento das mortes da doença ocorrem na África.

No Brasil, de acordo com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a malária é a principal causa de morbidade nos municípios da região amazônica, sendo considerada endêmica na Amazônia Legal, que engloba nove Estados: Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.

Nos últimos dois anos, houve um crescimento significativo da malária no Brasil: 630.747 casos em 1999 e 130.520 casos até abril deste ano, contra os 469.980 casos registrados em 1998.

Sinopse preparada por Reuters Health

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