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Medicina e arte: o câncer retratado através da história

26 de julho de 2007 (Bibliomed). O desejo de conhecer o corpo sempre foi objeto de inspiração. O corpo humano é retratado há séculos, em inúmeras obras de arte, por todo o mundo, através da beleza singular de uma "aula de anatomia", como também pelos deslumbrantes contornos humanos, demonstrados na estátua de Davi, de Michelangelo.

O The Lancet Oncology, em julho deste ano, publicou um artigo sobre o câncer de mama registrado em objetos de arte. Obras de mestres da pintura, como Leonardo Da Vinci e Rembrandt são descritas e utilizadas como ilustrações, em congressos sobre essa doença.

De acordo com registros históricos, os sinais de câncer de mama somente foram observados por médicos e artistas que utilizavam modelos nus. Entretanto, em algumas obras nas quais a doença foi inadvertidamente retratada, ainda existem controvérsias quanto à interpretação.

A primeira pintura apresentada no artigo é um quadro de Rembrandt (1606 – 1669) conhecido como O banho de Bathsheba, em exposição no Louvre. Nessa pintura, observa-se Bathsheba nua, lendo uma carta do Rei David exigindo sua presença no palácio. De acordo com um cirurgião italiano, Rembrandt teria registrado nessa obra os primeiros sinais do câncer de mama, observados na modelo Hendrickje Stoffels. Outros diagnósticos possíveis também foram sugeridos: tuberculose e mastite lactacional. O quadro é hoje utilizado como capa do livro Women, Cancer and History de James S Olson.

A escultura La Notte, de Michelangelo (1475 – 1564), é vista como uma retratação de um câncer de mama em estágio avançado. Contudo, a imagem pode ter sido apenas uma característica do autor, que demonstrou os seios em um estilo masculinizado, próprio de seus trabalhos.

Raffaelo Sanzio (1483 – 1520) é citado por Carlos Hugo Espinel, como um dos primeiros artistas a retratar o câncer de mama, em sua obra Fornarina. Contudo, Michael Baum refere que o modo como a mama é exposta cria uma imagem que pode ser obtida mesmo em mamas normais. Além disso, o câncer não provoca um tom avermelhado sobre a pele. De acordo com Baum, a verificação do câncer em obras de arte sempre foi assunto dificultoso, e cita a obra Miracle of San Carlo Borromeo como um exemplo, no qual um cisto mamário foi considerado como um câncer, que foi miraculosamente curado.

O quadro The Madonna Delivers Milan From y the Plague, de Il Cerano (1631), exposta na igreja de Santa Maria Della Grazia, na Itália, é considerada também como a retratação de um câncer de mama ulcerado.

Renieri (1591 – 1667) em seu quadro Vanitas: Allegory of Transience, exposto no Christian Museum, na Hungria, representa o acometimento do câncer de mama em uma jovem mulher. Apesar dessa doença ser mais freqüente em mulheres mais velhas, hoje, pelo conhecimento da existência de câncer familial, a retratação é considerada possível.

Atualmente, a arte continua sendo utilizada como forma de representação de doenças ou mesmo como um método terapêutico. Mulheres, portadoras do câncer de mama, estão usando a arte como um método auxiliar na aceitação do diagnóstico, tratamento e prognóstico, seja através de pinturas ou esculturas. A imagem de Vênus, revista por Carole Bonicelli, retrata a beleza e ao mesmo tempo a tristeza de Vênus, preocupada com sua injuria. Outras obras de pacientes podem ser encontradas no ArtReach, Visual Art, Breast Cancer Answers Art Gallery e sites na internet.

O interesse pelo tema não é apenas de indivíduos acometidos pela doença. Em competição promovida pela Universidade de Londres, a obra Target Intraoperative Radiotherapy ganhou o segundo lugar no Research Images in Art and Art Images in Research. Isso demonstra que Medicina e arte continuam intrinsecamente ligadas e, provavelmente assim permanecerão por longos anos, inquestionavelmente.

Fonte: The Lancet Oncology, Current Issue; 8(7): 583 – 585 (July 2007)

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