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Vacina Anti-HIV Pode Ser Testada no Brasil em 2001

Por Eliza Muto SÃO PAULO (Reuters) - Em um ano e meio, o Brasil pode vir a participar de testes de vacinas anti-HIV, afirmou Paulo Teixeira, coordenador do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, na sexta-feira.

"Espero que até o final de 2001 um produto esteja sendo testado no país", disse Teixeira à Reuters.

Segundo o coordenador, a inclusão do país em estudos de vacinas e a construção da capacitação nacional são os principais objetivos do plano de vacinas anti-HIV do governo. "Por isso, queremos abrir o maior número de vínculos com instituições internacionais", afirmou Teixeira.

Para estabelecer esse relacionamento, integrantes do Comitê Nacional de Vacinas Anti-HIV, ligado ao Programa Nacional de DST/Aids, e pesquisadores de universidade brasileiras reuniram-se na sexta-feira com Donald Francis, presidente da VaxGen, empresa que desenvolveu a primeira vacina anti-Aids cuja eficácia está sendo testada em humanos, e Arthur Reingold, coordenador do estudo Fogarty - programa de cooperação com países em desenvolvimento em Aids dos Estados Unidos.

Teixeira adianta que um avanço já foi estabelecido. Em julho, durante a Conferência Mundial em Aids, em Durban, na África do Sul, foi firmado um acordo com a Agência Francesa de Pesquisa em Aids (ANRS) para a realização de testes no Brasil para a próxima vacina anti-HIV da instituição.

"Não sabemos qual será nem quando isso irá acontecer, mas acredito que provavelmente ocorrerá em 2001", disse Teixeira.

Além disso, Teixeira destacou que estão sendo feitos contatos entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e os Institutos Nacionais de Saúde (NHI) dos Estados Unidos para a realização de testes de uma vacina anti-HIV conjugada no Brasil.

A vacina, chamada Alvac, está em testes de fase 2 e combina duas outras. Uma de vetor recombinante vivo - que utiliza o vírus da varíola dos canários com vetor (inofensivo a humanos), contendo vários genes do HIV1. A outra é uma vacina recombinante - a Aidsvax, da empresa VaxGen que é produzida a partir de uma porção externa do HIV da proteína chamada gp120.

A Aidsvax é a única preventiva contra a Aids em testes de fase 3, sendo testada em cerca de 7.900 voluntários em larga escala há um ano e meio na América do Norte e na Tailândia.

"A questão (nos testes de fase 3) é se a vacina irá atuar tão bem para proteger as pessoas", disse Francis. Ele explicou que os testes de fase 3 analisam a eficácia do produto em um número maior de pessoas por um período extenso e "verificam se ela funciona na vida real".

Duas modalidades da vacina da VaxGen estão sendo testadas: uma dirigida contra o HIV tipo B, mais comum na Europa e nas Américas, e outra contra os tipos B e E, predominantes na Tailândia.

Primeiros Resultados Devem Sair em 2001

O princípio da Aidsvax é semelhante ao utilizado na vacina contra a hepatite B, ou seja, introduz no organismo um porção inofensiva de uma proteína do HIV.

Desse modo, a porção externa do HIV da proteína gp120 funciona como um antígeno - corpo estranho - e estimula a resposta do sistema imunológico, com a produção de anticorpos eficientes, explicou o norte-americano.

Entretanto, o uso dessa proteína pode apresentar alguns entraves, uma vez que a parte externa do vírus é a que mais se modifica de um tipo de HIV para outro.

"A mutação é um dos principais desafios de nossa pesquisa. Por isso, estamos realizando nosso estudo nos Estados Unidos e na Tailândia para verificar a eficácia da vacina em mais de um subtipo do vírus", disse Francis.

Segundo a VaxGen, os primeiros resultados dos testes de fase 3 dos Estados Unidos devem ser publicados no final de 2001. Casos eles apresentem evidências estatísticas de que a vacina é pelo menos 30 por cento efetiva, a empresa deve entrar com pedido de aprovação junto à Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana reguladora de drogas e alimentos.

Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo, pondera que a descoberta de uma vacina anti-HIV eficaz não é uma tarefa ser fácil. "O grande problema é que estamos lidando com um patógeno de sucesso, que muda e se 'esconde' do sistema imunológico. É de se esperar que a empreitada seja difícil."

Sinopse preparada por Reuters Health

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