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Estudo do Cérebro Descobre Sinais Precoces de Alzheimer

Por Gene Emery

BOSTON (Reuters) - O cérebro de pessoas que vão desenvolver doença Alzheimer é forçado a trabalhar mais para realizar várias tarefas. Isso ocorre antes de aparecer qualquer sintoma óbvio da perda de memória, segundo novas evidências publicadas no New England Journal of Medicine.

Em um teste com 30 voluntários entre 47 e 82 anos de idade, realizado na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, a equipe da pesquisadora Susan Bookheimer verificou que para realizar uma determinada tarefa, pessoas cuja formação genética inclui APOE4 - pequena parte de DNA frequentemente encontrada em pessoas com Alzheimer - utilizam uma porção maior do cérebro que pessoas com APOE3, a forma normal.

"A média de sinais intensos detectados pela ressonância magnética foi próxima do dobro entre quem carrega o alélo APOE4, comparados aos que carregam o APOE3", declararam os pesquisadores.

Os voluntários que tiveram problemas para processar informações também tenderam a ter uma memória mais pobre quando o grupo foi retestado dois anos depois. Dois voluntários do grupo de APOE4 foram diagnosticados depois com Alzheimer.

A equipe observou as tentativas cerebrais de compensar danos possivelmente causados pelo Alzheimer, que afeta 8 por cento das pessoas acima de 65 anos.

"Agora, sabemos que 'daquela deterioração mental prevista' existem mudanças cerebrais que ocorrem cedo", Bookheimer disse à Reuters por telefone.

Conforme a pesquisadora, a descoberta dá esperança de trazer o problema para um nível individual e possibilitaria a intervenção para diminuir ou reverter o progresso da doença.

A técnica poderia, no mínimo, levar a uma forma melhor de identificar drogas que diminuam a deterioração.

Bookheimer acredita que a combinação do teste da ressonância magnética e teste genético pode fornecer um exame preventivo para a doença. Mas ela alerta: "Neste momento estamos ainda num ponto preliminar."

Num editorial publicado no mesmo jornal, Ingmar Skoog, do Hospital Universitário Sahlgrenska, em Goteborg, Suécia, disse que as descobertas não significam que testes precoces para Alzheimer estão no horizonte porque a doença nunca se desenvolve em muitas pessoas com o APOE4.

"Não é um previsor perfeito. Sabemos que existe mais de uma causa, mas se você tem o alelo epsílon 4, o risco para a doença é bem maior", concorda Bookheirmer.

Conforme Bookheirmer, todas as pessoas têm duas cópias do APOE e pesquisas anteriores mostraram que quem têm duas cópias de APOE4 apresenta 91 por cento de chance de desenvolver Alzheimer.

A taxa é de 20 por cento para os que têm duas cópias do APOE3 e de 47 por cento entre quem tem uma cópia de cada forma. O gene também afeta o aparecimento do Alzheimer, pois a média de idade do surgimento da doença é 68 anos em pessoas com duas cópias de APOE4, 75 anos com uma cópia e 84 para quem não tem nenhum gene APOE4.

Segundo a pesquisadora, os voluntários não foram informados se tinham o DNA que aumenta os riscos da doença.

Sinopse preparada por Reuters Health

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