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Ex-pacientes psiquiátricos precisam de período de adaptação para retornar à sociedade

31 de Março de 2003 (Bibliomed). No hospício, o interno é submetido a uma série de rebaixamentos, degradações, humilhações e torna-se inapto até mesmo para realizar atos cotidianos simples que fazem parte do convívio social. Depois de vários anos de internação e de transferências forçadas de um hospital para outro, eles acabam perdendo os vínculos com seus familiares e não têm para onde ir ao sair.

Por isso, para retornar às atividades cotidianas, os ex-pacientes de hospitais psiquiátricos necessitam de um período de adaptação em moradias especiais para retomar sua individualidade. Essa é a conclusão da tese de doutorado “Entre o hospício e a cidade: exclusão/inclusão social no campo da saúde mental”, apresentada recentemente no Instituto de Psicologia da USP, por Ianni Régia Scarcelli.

A pesquisadora analisou o processo de saída desses ex-pacientes para residências localizadas no perímetro urbano e o envolvimento dos profissionais de saúde mental nesse processo. O estudo priorizou a análise das experiências desenvolvidas em Ribeirão Preto e Campinas, cidades pioneiras onde estes serviços terapêuticos existem há pelo menos dez anos e vêm apresentando bons resultados. Apesar do processo de reinserção na cidade ser difícil e gradual, tem sido possível para os ex-pacientes recuperar parte da história de suas vidas. Alguns adquiriram casa própria, casaram-se ou passaram a ajudar no processo de readaptação de outros ex-pacientes.

Ianni explica que as primeiras iniciativas para a criação destas casas foram inspiradas nas proposições do Movimento de Luta Antimanicomial, originado em 1987. A criação de serviços residenciais terapêuticos em saúde mental passou a ser uma diretriz do Ministério da Saúde com a publicação em 2000 da Portaria nº 106. A diferença é que, enquanto nos hospícios os pacientes são tutelados, nestas casas eles podem recuperar sua condição de cidadão e serem responsáveis por si próprios.

Dados do Datasus de 2000 indicam a existência de 61.393 leitos em 260 hospitais psiquiátricos no Brasil. Segundo a pesquisadora, pelo menos 20% das pessoas internadas não deveriam mais estar nesta condição. “No Brasil cerca de 12 mil pessoas consideradas moradoras de hospitais psiquiátricos poderiam voltar para o convívio social se houvesse o empenho do poder público em criar alternativas nesta direção”, afirmou. “A extinção dos manicômios é algo possível e viável e deve ser encampada pelo poder público, porém esta não é uma medida meramente técnica ou administrativa”, completou.

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