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Para combater o avanço da Aids não basta informar nem fazer apologia da abstinência sexual, defende especialista

07 de Fevereiro de 2003 (Bibliomed). Informar, apresentar dados e alertar sobre os riscos da doença ajuda, mas não é suficiente para evitar o avanço da Aids. Essa é a opinião da psicóloga Marlene Castro Waideman, do Departamento de Psicologia Clínica e coordenadora do Centro de Pesquisas e Psicologia Aplicada da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus em Assis.

“Não se pode ter a ingenuidade de que apenas isso basta. Ao contrário do que normalmente se supõe, estar informado não é suficiente. Ter conhecimento dos riscos e das medidas preventivas não é garantia de que comportamentos de riscos serão alterados”, disse, explicando que mudanças significativas de comportamento levam pelo menos uma geração para serem incorporadas. “Vivemos numa sociedade machista. Não se considera, por exemplo, a questão do afeto e da insegurança que permeia o relacionamento amoroso. A adolescente apaixonada não acha que o seu amor possa lhe trazer mal”, exemplificou.

A especialista ressalta que o conceito de grupos de risco foi abandonado há tempo. “Hoje, o que se considera são os comportamentos de riscos. Prova disso é que a Aids não cresceu apenas entre as mulheres, mas também entre as pessoas que se encontram na terceira idade, graças, em parte, à omissão das campanhas publicitárias. Elas têm partido da idéia errônea de que idosos não transam”, disse.

A professora classifica de “hipócritas” propostas como a que está em tramitação no Congresso norte-americano, segundo a qual o governo só repassará recursos às entidades que lutam contra a epidemia, desde que elas tenham como principal bandeira a pregação da abstinência sexual. “Isso é cretino demais. Em princípio, a abstinência não é da natureza humana. Pode ser uma opção, mas jamais uma imposição”, disse.

Segundo relatório divulgado no final de 2002 pela Unaids – órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) para combater a epidemia –, cerca de 38 milhões de adultos em todo o mundo está infectada pelo vírus HIV, sendo 50% mulheres.

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