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Sociabilidade ajuda no rendimento da criança

24 de Outubro de 2002 (Bibliomed). As crianças precisam conviver desde cedo em um ambiente com regras claras vindas de pais firmes. Essa é a conclusão da dissertação de mestrado “Recursos de sociabilidade em crianças com dificuldades de aprendizagem”, apresentada recentemente pela pesquisadora Marli Aparecida Silva Campos, no Instituto de Psicologia da USP de Ribeirão Preto, em São Paulo. “É importante que a criança participe das tarefas do lar, que tenha pequenos deveres e aprenda a se organizar. A regularidade de horários para rotinas básicas como alimentação e higiene pessoal contribuem para a construção do seu senso de organização, fundamental para a vida em sociedade”, ressaltou.

O estudo foi feito com 48 crianças, com idades entre 10 e 15 anos, e com suas respectivas mães. Todas as crianças haviam sido encaminhadas ao Ambulatório de Psicologia Infantil por apresentarem queixa de dificuldade de aprendizagem, passaram por avaliação e atendimento psicopedagógico e receberam alta clínica entre 1998 e 1999. O encontro de seguimento foi realizado em 2000 e 2001, com três grupos – o primeiro formado por crianças sociáveis, que respeitam regras e normas e relacionam-se bem com adultos e crianças; o segundo, pelas que têm dificuldades para respeitar regras e normas, se relacionar e apresentaram agressividade; e o terceiro, com crianças de características mistas.

As crianças mais sociáveis apresentaram um autoconceito melhor e mantiveram os ganhos adquiridos com o atendimento psicopedagógico – encontram-se bem na escola e nos relacionamentos com amigos e familiares. As crianças do segundo grupo tiveram uma avaliação negativa de seu autoconceito, atribuindo a si problemas de comportamento e a causa de tristeza dos pais, além de menos recursos para a aprendizagem – possuem baixo senso de auto-eficácia, problemas de atenção, agressividade e são muito ansiosas e, apesar de terem apresentado melhora com o atendimento psicopedagógico, anos depois voltaram a ter dificuldades na escola, com os amigos e a família. Já as crianças do terceiro grupo foram avaliadas como incompetentes no desempenho escolar, mas consideradas competentes nas tarefas relacionadas à sociabilidade – eram crianças capazes de seguir normas do grupo social, que tinham vários amigos e se relacionavam bem com eles, com seus professores e familiares.

Segundo a pesquisadora, por avaliarem de forma negativa suas possibilidades, as crianças com dificuldades nas relações interpessoais fortalecem ainda mais problemas de comportamento e o prejuízo para sua saúde mental. “As autopercepções positivas das crianças as ajudam a enfrentar diferentes situações, gerando maior motivação para novas experiências de aprendizagem e relacionamento”, concluiu.

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