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Situações de estresse aumentam dependência química, diz estudo

12 de Setembro de 2002 (Bibliomed). O contexto social exerce uma forte influência sobre os usuários de drogas, tornando uma pessoa mais suscetível ao vício, ativando-lhe o desejo de se drogar e até criando um padrão de comportamento nos momentos em que está sob o efeito da droga. Essas são conclusões de um estudo realizado recentemente na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com camundongos.

Na avaliação do coordenador da pesquisa, o professor de Farmacologia Roberto Frussa Filho, os dados são indicações valiosas, na medida em que mostram que “boa parte do que tem sido feito com o usuário está no caminho certo, como tirá-lo do contexto de consumo da droga, levá-lo para lugares tranqüilos – onde não fique com muitas pessoas nem conviva com quem esteja usando drogas – e minimizar os conflitos sociais a que está exposto”.

No estudo, realizado para a sua tese de doutorado, o biomédico Rogério Bellot analisou dois grupos de camundongos que receberam seguidas administrações de anfetamina, sendo que um dos grupos permaneceu com os mesmos indivíduos e o outro recebeu um animal novo a cada dose, criando uma situação de estresse social.

O pesquisador observou que os indivíduos dos dois grupos ficaram mais agitados, mas a inquietação foi bem maior no segundo. Acredita-se que entre humanos o vício também seria potencializado por distúrbios sociais.

Bellot também observou que o contexto social das primeiras vezes de uso da droga pode ser determinante também no comportamento que o indivíduo apresentará sob o efeito da substância. Ele percebeu isso analisando a reação de camundongos colocados sobre um disco de madeira em duas situações: no chão, com parede nas bordas; e elevado a certa altura, sem a proteção.

Quando colocados no disco com as paredes, os animais andaram próximos a elas; sem as paredes, sentiram-se inseguros e se moveram apenas na região central. Ao serem drogados com anfetamina nos mesmos ambientes em que estavam, seus movimentos se intensificaram, mas sempre com o mesmo comportamento.

Passados sete dias da primeira injeção de anfetamina, o animal que fora colocado no disco sem paredes recebeu uma nova dose e foi colocado no disco com proteção nas bordas.

Apesar de estar num ambiente seguro, o camundongo reproduziu o comportamento da primeira vez em que recebera a substância. O pesquisador suspeita de que um fenômeno semelhante possa ocorrer no homem.

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