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Antibióticos são inúteis na bronquite aguda

22 de Maio de 2002 (Bibliomed). Apesar de ser uma condição clínica que geralmente traz angústia à mãe e ao paciente devido aos sintomas que traz – tosse, produção de secreção e falta de ar – a bronquite aguda não é indicação para uso de antibióticos. Muitos pacientes, por medo de evolução para condições mais graves como a pneumonia, pressionam seus médicos para a prescrição destes, e muitos médicos cedem a esta pressão, também pelo medo de evolução da doença.

É possível a evolução da bronquite aguda, doença viral e autolimitada (cura-se por si só), para a pneumonia bacteriana, que deve ser tratada com antibióticos adequados. Apesar disto, o uso de antibióticos na bronquite aguda não parece melhorar a evolução dos pacientes e deve ser abandonado neste caso. Os médicos devem informar ao paciente e aos responsáveis, se o mesmo for criança, sobre a evolução da doença, suas possíveis complicações e seus sinais de alerta, ao invés de prescrever o uso de antibióticos no primeiro momento.

Os pesquisadores tentaram verificar a eficácia dos antibióticos em pacientes com bronquite aguda selecionando aleatoriamente 220 pacientes com a doença para utilizar ou o antibiótico azitromicina ou um comprimido de vitamina C em baixas doses – sabe-se que a vitamina C não tem nenhum efeito contra a bronquite aguda. Os pacientes receberam também o tratamento padronizado para bronquite aguda, incluindo xarope para tosse e inalações de albuterol para alívio da tosse e melhora da respiração.

Os pesquisadores verificaram se os pacientes que utilizaram antibióticos mostraram melhora em termos de qualidade de vida, como capacidade para retorno às atividades normais em uma semana. Liderados pelo Dr. Arthur Evans, os pesquisadores não verificaram diferenças significativas entre os grupos tratados com azitromicina ou vitamina C. Na verdade, os pacientes que receberam antibióticos mostraram ligeira melhora no terceiro dia da doença, mas esta diferença desapareceu no sétimo dia, onde todos pareceram melhorar da mesma forma. Além disto, o uso dos antibióticos aumenta a chance de desenvolvimento de resistência bacteriana, que é um problema mundial que pode ameaçar o tratamento de doenças que realmente necessitem destes medicamentos.

A resistência bacteriana é a capacidade que as bactérias, microorganismos causadores de doenças como pneumonia, amigdalite, otite e outras, têm de se transformarem para conseguir anular os efeitos dos antibióticos. Se as pessoas continuarem a utilizar os antibióticos em situações em que eles não sejam absolutamente necessários, maior será a chance de estar selecionando bactérias resistentes, que serão um problema grave em um futuro próximo. É importante lembrar que a descoberta de um antibiótico novo não é ilimitada, sendo geralmente demorada, cara, difícil e não garantida. Por isto, é importante que as pessoas se conscientizem da gravidade deste problema e contribuam para a preservação do efeito dos medicamentos de que dispomos atualmente, para se evitar o surgimento de doenças intratáveis no futuro.

Segundo o Dr. Evans, os pacientes devem ser observados para verificação da evolução da doença. Se houverem indícios de desenvolvimento de pneumonia, o uso de antibióticos é justificado e benéfico.

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