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Brasil tem nova estratégia para diagnosticar dependência química

30 de Abril de 2002 (Bibliomed). Começa amanhã no Brasil uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre abuso de álcool e drogas. Até maio do ano que vem, cerca de 1.000 brasileiros que procurarem auxílio médico em postos de saúde vão responder a um questionário sobre consumo de álcool, tabaco, maconha, cocaína, anfetaminas, opiáceos (heroína, morfina), benzodiazepínicos (calmantes), inalantes (solventes) e alucinógenos (LSD, mescalina). O objetivo é detectar precocemente o risco da dependência química.

A partir do teste, o profissional de saúde poderá identificar um dependente químico, mesmo que ele vá ao posto de saúde para tratar, por exemplo, uma dor nas costas. "Os dependentes de álcool costumam buscar tratamento somente depois de 15 ou 20 anos de uso abusivo, mas as pessoas procuram as unidades de saúde por outros motivos, como uma consulta de rotina. Essa é a ocasião para o profissional intervir, alertar o paciente sobre os riscos ou encaminhá-lo a serviços especializados", afirma Maria Lúcia Formigoni, professora de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo e coordenadora do projeto da OMS no Brasil.

O estudo será realizado simultaneamente em outros seis países: Estados Unidos, Inglaterra, Tailândia, Índia, Austrália e Zimbábue. Essas nações foram escolhidas por representaram todos os continentes do planeta e possuírem centros de pesquisa reconhecidos pela OMS. No Brasil, representante da América do Sul, o trabalho está sob responsabilidade das universidades federais de São Paulo e do Paraná. Em todo o mundo, 7.000 pessoas responderão aos questionários.

Etapa inicial

As etapas iniciais da pesquisa ocorreram entre 1998 e 2000, quando pesquisadores dos sete países testaram um questionário que pudesse detectar o uso de drogas e ser aplicado por qualquer profissional que atenda nos serviços públicos de saúde. O teste aprovado indaga sobre a freqüência do uso das substâncias químicas e os problemas que possam ter acarretado.

No ano passado, cerca de 150 pacientes de cada país responderam ao questionário para que a OMS pudesse avaliar a eficiência do mesmo. Embora o número de pessoas ouvidas no teste seja pequeno, o levantamento indica que o consumo abusivo de álcool e drogas é problema em todos os países. Pelo menos uma substância é consumida em excesso, com propensão à dependência.

No Brasil, os campeões de consumo foram álcool, tabaco, maconha e cocaína. Das 147 pessoas abordadas em postos de saúde de São Paulo e Curitiba, 47 são dependentes químicos. Entre os não dependentes, 54% declararam ter fumado cigarro diariamente ou semanalmente nos três meses antes da entrevista; 40% afirmaram ter ingerido álcool na mesma proporção; 14% disseram ter usado maconha e 0,2%, cocaína. Na Austrália, Índia e Tailândia, o ópio é a principal preocupação.

Depois de concluído o "diagnóstico" nos sete países, a OMS vai alertar a população e as autoridades sobre os riscos do abuso das drogas. Durante o andamento da pesquisa, o profissional que aplicar o questionário, encontrar um dependente químico em potencial, orientá-lo sobre os riscos, deverá procurar esse paciente três meses depois para verificar se seu trabalho surtiu efeito.

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