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A televisão atua indiretamente no controle da natalidade

Belo Horizonte, 12 de Novembro de 2001 (Bibliomed). Não se vê com muita freqüência na televisão brasileira propaganda deliberada a favor de métodos anticoncepcionais. Os meios de comunicações, entretanto, desempenharam papel relevante nas mudanças de comportamento que levaram a um dos mais interessantes fenômenos demográficos das últimas décadas - a queda significativa e rápida das taxas de fecundidade no País.

Estudo feito em um vilarejo do litoral norte da Bahia, Arembepe, mostrou que as mulheres que vêem televisão e ouvem rádio desde a infância têm menos filhos do que as outras, cujo acesso à mídia eletrônica ocorreu mais tardiamente. A pesquisa foi apresentada em uma Conferência Geral sobre População, realizada na Bahia, no mês passado.

Os pesquisadores indicam que um dos programas que tratam indiretamente do tema são as telenovelas, que mostram famílias com poucos filhos. Esse tipo de programa passa a idéia de que é moderno ter controle sobre a natalidade.

O estudo destaca que as telenovelas costumam mostrar um padrão uniforme de formação familiar. Estão sempre nas telas famílias de classe média, pouco numerosas, com pessoas que desfrutam a vida e têm possibilidades de mobilidade social.

A influência, acreditam os pesquisadores, mostrou a mais de 90% das mulheres do vilarejo de Arembepe que é caro educar os filhos e que as mulheres devem ter poucas crianças.

Apesar de ter sido desenvolvido na Bahia, o estudo foi feito pela equipe da norte-americana Janet Dunn, do Instituto de Pesquisa Social da Universidade de Michigan. A pesquisadora, que já avaliou outras localidades brasileiras, defende que o rádio e a televisão sugeriram possibilidades de mudanças em locais pobres e isolados no País.

Ao avaliar séries históricas do censo brasileiro, uma segunda equipe chefiada pelo pesquisador norte-americano, Joseph Potter, da Universidade do Texas, percebeu um outro dado interessante. Em diversos vilarejos ocorreram quedas bruscas nas taxas de natalidade após a chegada da eletricidade.

O estudioso indica que a energia elétrica levou o rádio e a televisão para algumas comunidades. Mas, além disso, abriu caminho para a mentalidade de consumo. O foco de atenção, antes voltado apenas para a constituição familiar, nesses casos, foi alterado bruscamente, sugerindo novos comportamentos.

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