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Danos causados por drogas permanecem com abstinência

Belo Horizonte, 31 de Outubro de 2001 (Bibliomed). Usuários de cocaína e crack apresentam déficit de atenção, perda de memória e dificuldade de aprendizagem, mesmo quando abandonam as drogas. A conclusão é da psicóloga Suely Nassif, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Durante cinco anos, ela estudou as seqüelas do vício em 66 jovens, com idade média de 24 anos, atendidos na Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas e no Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad). Eles estavam em abstinência por períodos que variavam de um dia a quatro anos.

Os dependentes químicos foram divididos em dois grupos: o dos usuários de cocaína inalada (uso simples) e os de crack e de cocaína inalada (uso misto). A cocaína injetável não foi incluída na pesquisa. Eles foram submetidos a uma bateria de testes, que avaliam atenção, memória, aprendizagem e linguagem. O desempenho de cada participante foi comparado ao de um não-usuário de drogas, do mesmo sexo, idade, escolaridade e classe sócio-econômica.

Os integrantes do grupo misto foram mal em todas as avaliações, confirmando o quanto o crack é nocivo ao sistema neurológico, explica Nassif. Já os usuários de cocaína inalada tiveram melhor desempenho nos testes de respostas de curto prazo e que abordam temas pouco complexos. No entanto, o resultado positivo não se repetiu nos testes envolvendo maior capacidade de memória.

No teste dos dígitos, no qual o participante precisa repetir uma seqüência de até oito números determinada pelo avaliador, por exemplo, os usuários de cocaína inalada se saíram bem. Quando se pediu que a mesma seqüência fosse pronunciada na ordem inversa, no entanto, eles não conseguiram repetir o bom desempenho. Isso ocorre em função da complexidade, explica a autora do estudo.

"A cocaína tem a capacidade de deixar as pessoas ativadas e faz com que executem facilmente tarefas rápidas. Por isso, muitos usuários sentem-se bem e têm vontade de continuar a consumi-la, sem levar em consideração prejuízos", avalia Nassif.

Aprendizado difícil

Nassif constatou ainda alterações no desempenho cognitivo dos usuários de cocaína. "Quem usa cocaína tem dificuldade para aprender e isso inclui também a aprendizagem de comportamentos éticos ligados às experiências de vida. Por isso, essas pessoas geralmente não conseguem se adequar ao trabalho", observa. A pesquisa mostrou ainda que os dependentes – especialmente os do grupo misto - ficaram mais ansiosos do que os não-usuários durante os testes.

O próximo desafio da pesquisadora será analisar a influência do tempo de abstinência nos resultados dos testes. Ela quer saber, por exemplo, quais danos provocados pelo uso das drogas regridem com o aumento do período de abstinência e quais são definitivos.

O uso de drogas pode produzir sintomas mentais como irritabilidade, agressividade, delírios e alucinações. Entre os sintomas físicos estão aumento de temperatura, hipertensão, taquicardia e até convulsões. O usuário corre risco de morte súbita ou por overdose.

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