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Médicos discutem antiinflamatórios e caso Ronaldinho

São Paulo, 29 de Junho de 2001 (eHealthLA). A “amarelada” que o jogador Ronaldinho deu na Copa de 98 foi terrível. Por conta disso, todo o time se abateu. Resultado: o Brasil foi goleado pela França, por 3 x 0 e perdeu o título mundial de futebol. Mas, acredite, tem coisa pior que isso.

É a certeza de que, a cada ano, 16.500 norte-americanos morrem devido a complicações relacionadas ao uso de antiinflamatórios tradicionais não esteróides. Esse foi um dos temas discutidos nesta quinta-feira, em São Paulo, pela Associação Brasileira de Medicina do Futebol.

Problemas gastrointestinais produzidos por esses medicamentos - usados em larga escala para combater a dor também, por grande parcela da população brasileira - são ainda responsáveis por quase 110 mil internações hospitalares nos Estados Unidos, todos os anos, segundo estudo realizado pela Universidade da Califórnia.

Mesmo quando ministrados por meio de injeção ou supositórios, os antiinflamatórios não esteróides - ou não hormonais -, que têm por princípio ativo substâncias como o diclofenaco, podem provocar graves efeitos colaterais.

As informações foram dadas por médicos presentes ao encontro com a imprensa promovido nesta quinta-feira, em São Paulo, pela Associação Brasileira de Medicina do Futebol (ABMF), com a participação de representantes da Federação Brasileira de Gastroenterologia e da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro.

Ronaldinho - Conforme o anfitrião do evento, o médico do esporte e ortopedista Osmar de Oliveira, diretor científico da ABMF, o encontro foi motivado pelas recentes notícias sobre os problemas médicos que teriam afetado o jogador Ronaldinho horas antes da final da Copa de 98, na França.

Osmar de Oliveira ressalta que “ainda não está provado que as convulsões sofridas pelo futebolista tenham sido provocadas” por determinado medicamento à base de diclofenaco.

"De todo modo, a medicina esportiva não pode viver sem antiinflamatórios. O grande problema reside no acúmulo de determinadas substâncias no organismo humano, quando se usa por longo tempo determinado medicamento.

Felizmente, de alguns anos para cá, já podemos contar com uma nova classe de antiinflamatórios, os chamados inibidores da COX-2, que oferecem mínimos efeitos colaterais em comparação com os tradicionais medicamentos contra inflamação e dor, e que geralmente são muito bem aceitos pelos pacientes", explica.

PALPITES - Por sua vez, o também ortopedista Julio César Lolla, da ABMF, adverte que existe, no Brasil, grande número de equipes de futebol que não têm médicos contratados, ficando a medicação dos atletas por conta dos palpites dos massagistas. "Isso pode causar sérios problemas aos atletas e os clubes podem ser responsabilizados por esses acontecimentos", advertiu.

ALERTA - Outro especialista presente ao encontro promovido pela ABMF, o dr. Décio Chinzon, professor de pós-graduação em Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP, diz que o "caso Ronaldinho" deve servir de alerta não só para a classe médica, como para a população em geral, porque o uso indiscriminado de antiinflamatórios não COX-2 específicos traz sérios riscos à saúde.

Secretário executivo da Federação Brasileira de Gastroenterologia, Chinzon é autor de estudo recente que apontou serem os antiinflamatórios tradicionais os principais responsáveis por boa parte dos casos de pessoas que procuram atendimento de urgência nos hospitais, em razão de úlceras e outros problemas gastrointestinais provocados pelo uso desse tipo de medicamento.

O estudo por ele coordenado analisou 315 pacientes atendidos na unidade de emergência de 10 hospitais brasileiros, com dor de estômago, náusea, queimação e outras queixas relacionadas ao aparelho gastrointestinal.

Desse total, cerca de 41% haviam tomado antiinflamatórios não esteróides e/ou ácido acetilsalicílico; e mais da metade (56,6%) dos submetidos a tratamento com esse tipo de droga apresentaram úlcera gástrica, enquanto que 29% tiveram úlcera no duodeno.

Para o gastroenterologista, tanto os médicos de outras especialidades que necessitam tratar a dor, como a população em geral, devem ficar atentos, uma vez que já existe uma nova classe de antiinflamatórios, cujos efeitos colaterais são menos prejudiciais.

COLATERAIS - Também convidado para o evento da ABMF, o reumatologista Roger Levy, diretor científico da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro e professor adjunto de reumatologia na UERJ, enfatiza que não só os antiinflamatórios à base de diclofenaco provocam graves efeitos colaterais.

"Já se sabe que toda a classe dos antiinflamatórios não hormonais, aí incluídos, além do diclofenaco, o ácido acetil-salicílico, o naproxeno, a indometacina e o ibuprofeno, entre outros, têm a desvantagem de produzir efeitos colaterais como gastrite e úlceras.

Roger Levy lembra, ainda, que de 58 a 80% das pessoas que dão entrada em prontos-socorros com úlceras gástricas e duodenais sangrando por causa do uso de antiinflamatórios não hormonais, no dia anterior não apresentavam nenhum sintoma e, por isso, têm risco de vida e muitas vezes acabam tendo de se submeter a uma transfusão de sangue e a procedimentos cirúrgicos de emergência.

Isto significa que o custo do tratamento das complicações provocadas por esses medicamentos tradicionais, quando o paciente que sofre de artrite não é tratado com o antiinflamatório adequado, é muito mais elevado que o custo do tratamento da própria doença crônica, explica o reumatologista.

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