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Sintomas de viroses ocultam as Doenças Inflamatórias Intestinais

São Paulo, 08 de Junho de 2001 (eHealthLA). Diarréia. Dor abdominal. Estes sintomas, comuns a uma simples intoxicação alimentar ou uma virose, podem ocultar um diagnóstico mais grave.

Nos Estados Unidos, mais de dois milhões de pessoas, das quais 10 por cento com idade até 16 anos, sofrem de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), ou Retocolite Ulcerativa e Doença de Crohn. Erros no diagnóstico médico são corriqueiros no Brasil, pois os sintomas são facilmente confundidos com a grande variedade de viroses existentes no País.

Sobre a incidência destas doenças no Brasil, o gastroenterologista do Hospital do Coração, Mounib Tacla, alerta que "Em algumas regiões do país em que há uma grande incidência de viroses e pouca informação sobre esses males, corre-se o risco de o paciente ser tratado como portador de vírus enquanto o real problema se agrava".

No Brasil, como sempre, não existem números sobre a incidência destas doenças, mas ela atinge uma população tão considerável que mereceu a criação da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, uma entidade sem fins lucrativos que mantém um site na Internet, com informações sobre o diagnóstico, os sintomas e as possibilidades de tratamento. O site pode ser visitado no endereço: www.abcd.org.br e coloca os portadores uns em contato com os outros, criando comunidades.

Curso para profissionais ocorrerá no próximo final de semana em São Paulo

"Entre as características peculiares dessas doenças está a de que elas incidem principalmente em pessoas com idade entre 30 e 40 anos e que geralmente são das classes sociais mais privilegiadas", ressalta o Dr. Tacla.

O médico estará ministrando, no Hospital do Coração, nos próximos dias 8 e 9 de junho (Sexta-feira e Sábado), um curso para orientar médicos, residentes e estudantes de medicina, sobre as características desses males e das novidades no diagnóstico e tratamento, além dos aspectos psico-sociais que as envolvem.

Prevenção

A prevenção destas doenças é difícil, uma vez que não se conhece suas causas. A Retocolite Ulcerativa (RUCI) afeta apenas a parte terminal do intestino delgado, enquanto que a Doença de Crohn pode incidir desde a boca até o ânus.

Além disso, a Doença de Crohn é crônica e, mesmo se extraída por cirurgia, a reincidência em outra área do trato gastrointestinal pode chegar a 80%.

O que é a Doença de Crohn

De acordo com informações disponíveis no site da ABCD, a doença de Crohn caracteriza-se por uma inflamação severa do trato gastro intestinal, que afeta predonominantemente a parte inferior do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon), mas pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

“A doença de Crohn habitualmente causa diarréia, cólica abdominal, freqüentemente febre e, às vezes, sangramento retal. Também podem ocorrer perda de apetite e perda de peso subseqüente. Os sintomas podem variar de leve a grave, mas, em geral, as pessoas com doença de Crohn podem ter vidas ativas e produtivas”, define o site.

Segundo a ABCD, a Doença de Crohn é crônica e não tem causa definida. Quanto ao tratamento, sabe-se que os medicamentos disponíveis reduzem a inflamação e controlam os sintomas, mas não curam. Seu diagnóstico é difícil, pois ela pode ser facilmente confundida com a colite ulcerativa.

Também conhecida como ileíte, enterite regional ou colite, a Doença de Crohn é assim chamada porque Burril B. Crohn foi o primeiro nome de um artigo de três autores, publicado em 1932, que descreveu a doença pela primeira vez.

O que é Colite Ulcerativa

Ainda de acordo com as informações prestadas pela ABCD, a Colite Ulcerativa caracteriza-se pelo processo inflamatório do cólon e intestino grosso, apresentando inflamação e ulceração da camada mais interna do cólon.

Os sintomas incluem diarréia, com ou sem sangramento retal, e, freqüentemente, dor abdominal, podendo incluir perda de peso, fístulas, etc.

O diagnóstico preciso exige uma série de exames, com confirmação radiológica e endoscópica, Raio X trânsito-intestinal, ultrassom, tomografia, ressonância, Colonscopia, Endoscopia alta e biópsia.

Com os resultados em mãos, o médico determinará se o estágio da doença é leve a moderado, moderado a severo, ou severo. Dependendo do estágio, o tratamento inclui uma série de medicamentos, que devem ser bem dosados pelo médico consultado, e que, nos casos mais graves, pode indicar cirurgia.

A Colite Ulcerativa pode afetar apenas a parte inferior do cólon e do reto, e é, então, chamada de proctite ulcerativa. Se a doença afetar apenas o lado esquerdo do cólon, é chamada de colite distal ou limitada. Se envolver todo o cólon, é pancolite.

A colite ulcerativa difere da Doença de Crohn, não afetando apenas o cólon. A inflamação é máxima no reto e estende-se até o cólon de modo contínuo, sem nenhuma área e intestino normal ser poupada, ao contrário da Doença de Crohn, que pode “poupar” algumas áreas. A terapia pode ser tópica e oral, e em casos graves, levar à cirurgia.

As duas doenças são diferentes do cólon espástico ou síndrome do cólon irritável, que é um distúrbio de motilidade do trato gastrointestinal.

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