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Pedida Venda da Pílula do Dia Seguinte sem Receita nos EUA

ORLANDO (Reuters Health) - Um conselho consultivo da Associação Médica Americana (AMA, sigla para American Medical Association) está pedindo que a entidade faça um requerimento à FDA, agência norte-americana para controle de drogas e alimentos, para que o contraceptivo seja vendido sem receita médica.

Em relatório feito para AMA, o Council on Medical Affairs (Conselho sobre Questões Médicas) observou que muitas mulheres não têm acesso aos clínicos que poderiam dar a receita para o contraceptivo em tempo hábil.

Conforme a conselheira Ardis Hoven, de Lexiton (Kentucky), as mulheres precisam tomar as pílulas -- uma combinação específica de pílulas anticoncepcionais comuns -- num prazo de até "72 horas depois da relação sexual sem proteção para evitar a gravidez indesejada".

Atualmente nos EUA, existem duas "pílulas do dia seguinte", o Preven e o Plan B.

Antecipando objeções dos médicos pró-vida, Hoven abriu a audiência sobre a proposta declarando que "esta recomendação não muda a política da AMA sobre o aborto".

A conselheira observou que a primeira recomendação do relatório feito pelo conselho é reafirmar as políticas da AMA, "que declara que nenhum clínico ou outro profissional deve realizar qualquer ato que viole suas convicções morais e pessoais".

John T. Littell, médico de família em Kissimmee (Flórida) e diretor regional da Associação Médica Católica, afirmou que a proposta do conselho vai contra a política da AMA de neutralidade em relação ao aborto.

"A vida começa na fertilização e o mecanismo de ação dessas pílulas é impedir a implantação do óvulo fecundado no útero e não impedir o esperma de fertilizá-lo", disse Littell ao afirmar que as pílulas são abortivas.

Marilyn Laughead, de Scottsdale (Arizona) e delegada da Sociedade Americana de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG, sigla para American College of Obstetricians and Gynecologists), afirmou que a entidade apóia as recomendações do conselho. Conforme a delegada, não exigir receita "é uma forma importante de garantir o acesso ao remédio para muitas mulheres, especialmente nos fins de semana".

Representantes da Associação Médica do Estado de Washington apresentaram um relatório detalhado dos resultados de um projeto piloto, envolvendo médicos e farmacêuticos, que permitiu que estes últimos liberassem as pílulas para as mulheres.

Durante 16 meses, farmacêuticos deram um total de 11.969 receitas de pílulas do dia seguinte.

Partindo do pressuposto de que essas mulheres não poderiam ter acesso ao medicamento por nenhum outro meio, o serviço evitou cerca de 677 gestações. Partindo da idéia que a gravidez indesejada ocorre em uma a cada quatro possibilidades, essas prescrições evitaram "315 abortos induzidos, 272 nascimentos, 83 abortos espontâneos e sete gestações ectópicas", segundo o relatório de Washington.

Em entrevista à Reuters Health, o diretor da AMA Edward Hill (Tupelo, Mississippi) disse que as informações de Washington eram interessantes, mas que o corpo diretor da AMA estava preocupado com o fato de o requerimento "poder ser interpretado como promoção do uso dessas drogas".

Hill disse temer eventuais problemas relativos ao uso seguro do produto.

"Sabemos que essas drogas são seguras. A questão não é segurança, mas sim impedir a gravidez indesejada", rebateu Joseph M. Heyman, obstetra de West Newsbury (Massachusetts) e membro do Conselho.

A AMA deve tomar uma decisão durante uma votação nesta terça-feira.

Sinopse preparada por Reuters Health

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