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Artigos de saúde

Transplante de Fígado

Especialista explica a importância do transplante

O transplante de fígado é um procedimento cirúrgico, multidisciplinar, que consiste na retirada do fígado doente, de um paciente enfermo para a colocação de um fígado sadio extraído de um doador com morte encefálica, ou um segmento do fígado de um doador vivo.

Segundo o especialista Dr. Marco Antônio Cabezas, que também é titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e membro do Grupo de Transplante de Fígado do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, as indicações desse tipo de procedimento são todas aquelas doenças, agudas ou crônicas do fígado, nas quais, se esgotaram todas as possibilidades de tratamento clínico, e que levam a uma falência do fígado, com a insuficiência hepática, hipotensão, hipertensão, com conseqüências e repercussões hemodinâmicas e metabólicas, diabetes, hepaticardise prejudiciais ao organismo.

Um transplante de fígado pode trazer uma série de complicações para o receptor. Segundo o especialista, as complicações mais freqüentes e inerentes a este procedimento são: as hemorragias, tromboses das anastomoses vasculares, infecções decorrentes da imunossupressão (medicamentos para evitar a rejeição), complicações renais e a mais temida que é a rejeição do fígado doado pelo organismo do paciente receptor.

Dr. Marco Antônio explica que este procedimento pode trazer algumas seqüelas, após o processo cirúrgico. Elas geralmente decorrem das complicações que eventualmente possam ocorrer, sejam estas neurológicas, vasculares, hemorrágicas, decorrentes da imunossupressão ou metabólicas, sendo o diabetes o mais comum.

A realização de um transplante de fígado gasta uma média de sete horas, podendo em alguns casos variar de 5 até 12 horas.

A primeira etapa consiste na abertura do abdome com uma ampla incisão transversal e longitudinal, a liberação do fígado é por muitas vezes trabalhosa devido às aderências.

Em determinadas circunstâncias, explica o médico, é colocado um aparelho para a circulação extracorpórea. Durante este período, o paciente fica sob anestesia e ligado a vários aparelhos e comutadores com a finalidade de controlar a pressão arterial, hidratação, temperatura, oxigenação, coagulação sangüínea, diurese, etc. Tudo isto sendo coordenado por anestesistas.

Logo após a retirada do fígado doente, é colocado o novo órgão, que fora previamente preparado por parte da equipe cirúrgica. Além disso, é feita a anastomoses ou ligações vasculares e desvios biliares. Após a cirurgia, o paciente permanece na UTI por um período de 24 a 72 horas.

O paciente recebe diversas medicações e inclusive faz uso de alguns remédios por toda a vida. Inicialmente são necessárias visitas médicas semanais, depois mensais e até semestrais.

A equipe de transplante de fígado é multidisciplinar formada por cirurgiões, hepatologistas, infectologistas, anestesistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, hematologistas, farmacêuticos e enfermeiros.

Doação e a Seleção de um doador

O médico explica que normalmente a central de transplantes é comunicada sobre a existência de um paciente com morte encefálica, em qualquer hospital dentro e fora de Minas Gerais, cuja família está disposta a doar os órgãos.

A morte cerebral do doador é diagnosticada por exame clínico e confirmada por EEG (eletroencefalograma) ou métodos de imagem como angiografia mapeamento cerebral ou tomografia computadorizada.

Neste caso, são excluídos os doadores acima de 45 anos, com antecedentes de alcoolismo crônico ou drogas, ou ainda os com doença hepática crônica. São excluídos também os doadores que apresentam choque ou hipotensão arterial prolongados, entre outros.

Após a comprovação da morte encefálica, são realizados exames laboratoriais e sorologia contra doenças transmissíveis. Logo após, a central de transplantes faz a comunicação às equipes médicas que se mobilizam para chegar até o local da doação, onde será retirado o fígado e/outros órgãos.

Condições do doador

As condições do doador precisam ser boas, pois o fígado sente a queda de pressão, a falta adequada de oxigenação, a desidratação, etc. Esta avaliação é feita através dos exames laboratoriais, com sorologia para doenças transmissíveis, condições respiratórias e, em última análise, no momento da retirada do fígado, as condições macroscópicas do órgão quanto à consistência, cor, lesões, aspectos vasculares, etc.

Por ser órgão vital e único, a retirada do fígado para transplante só pode ser realizada após confirmada a morte do doador. A partir da década de 60, a aceitação dos critérios de morte cerebral (com o sistema circulatório preservado), facilitou a preservação do fígado.

Um programa de transplante de fígado só é viável em países, entre eles o Brasil, que adotam legislação compatível com a doação de órgãos de cadáveres (morte cerebral) com o sistema circulatório preservado, isto é, com o coração ainda em funcionamento eficiente. Em países como o Japão, por exemplo, foi adotado este critério apenas em janeiro de 1988. Fato que pode explicar a ocorrência de poucos transplantes, apesar do desenvolvimento tecnológico alcançado.

As dificuldades técnicas quando superadas, vão sendo aprimoradas as provas de compatibilidade. Até recentemente, do ponto de vista imunológico, considerava-se que o transplante de fígado apresenta resultados semelhantes inclusive nos pacientes em que era realizado contra a barreira dos grupos sangüíneos -ABO.

Agora a sobrevida é melhor naqueles pacientes em que o transplante foi realizado entre doador e receptores ABO idênticos.

Estudos atuais estão sendo orientados no sentido de definir melhores resultados em pacientes com testes de prova cruzada, além de levar em consideração provas de compatibilidade de glicoproteínas da parede celular que, no homem, são conhecidas como sistema HLA (antígeno leucócito humano).

Um outro fator importante na seleção de doadores diz respeito ao tamanho do órgão. De uma maneira geral, já é possível que um doador tenha, no máximo, variação de peso entre 10 a 20% em relação ao receptor. Bons resultados são observados nos transplantes de fígado pequeno em receptor com peso duas vezes maior que o peso do doador, este fato ocorreu devido ao crescimento do fígado até o tamanho adequado para o receptor (ocorre em torno de 30 dias). Já a situação inversa, ou seja, transplantar um fígado maior do que o do receptor, além da tolerância de 10 a 20%, é contra-indicada pelas dificuldades no fechamento da parede abdominal. Os cuidados têm como objetivo evitar o transplante de um fígado mal preservado, condições estas que levam ao insucesso.

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