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Artigos de saúde

Fobia: Um Medo Incontrolável: Parte 1

Cada vez mais cientificamente, na atualidade, temos observado aqueles medos persistentes e irracionais como algo que pode ser compreendido pela dinâmica do funcionamento psíquico e que podem ser tratadas com bom êxito. Resumindo, a partir das muitas definições explicitadas no Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, (DSM-3R), 3a. Edição Revisada, da American Psychiatric Association, fobia, ou distúrbios de ansiedade, significa "um medo persistente de um estímulo circunscrito (objeto ou situação)", ou seja, um medo desproporcional à causa.

A fobia é caracterizada por uma série de transtornos que geram ansiedade, por situações ou objetos bem definidos, não perigosos aos olhos dos outros. Essas situações ou objetos são caracteristicamente evitados ou suportados com extremo sofrimento. A pessoa sabe que o objeto da fobia não justifica tanto medo, mas é acometida por ele assim mesmo. "A pessoa reconhece que o seu medo é excessivo ou irracional", consta no DSM-3R. "O medo, ou o comportamento de evitamento, interfere significativamente na rotina normal da pessoa, nas suas atividades e em suas relações sociais com os outros" explica o manual, que acrescenta que os fóbicos sentem um sofrimento acentuado acerca do medo de que sofrem.

No ano de 1895, Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, publicou o seu primeiro estudo sobre este tema, diferenciando a fobia da obsessão. De acordo com Freud, a grande diferença apontada entre as duas é que na fobia o afeto está presente através da angústia e do medo. Depois disso, muitos casos foram estudados pelo autor, como veremos adiante.

Tipos de Fobias

Existem muitos tipos de fobias. Ainda de acordo com o DSM-3R, as Fobias Simples, mais comuns na população geral, envolvem animais, particularmente cachorros, cobras, insetos e ratos. Não necessariamente, as pessoas acometidas deste medo irracional e incontrolável de animais procuram tratamento: é bastante comum vermos pessoas com um medo terrível de baratas, por exemplo, convivendo com isso ao longo de toda a sua vida, sem chegar a tomar a iniciativa de buscar um tratamento.

Outras Fobias Simples envolvem presenciar sangue ou ferimentos, espaços fechados (claustrofobia), alturas (acrofobia), e viagens aéreas. No entanto, apenas quando o comprometimento das pessoas é bastante evidente, e incapacitante, busca-se auxílio para sua resolução.

Há ainda outras fobias, como a Síndrome do Pânico, a Agarafobia (lugares abertos) e a Fobia Social, estas sim, bem mais incapacitantes e que acabam realmente levando suas vítimas aos consultórios psicológicos e psiquiátricos.

Os sintomas variam de fobia para fobia, mas, de uma maneira geral, eles estão relacionados às angústias, medos e ansiedades, sendo comum, por exemplo, a sudorese e as palpitações.
Basicamente, as causas são psico-emocionais, sendo que suas explicações variam grandemente de acordo com a psiquiatria, medicina tradicional, ou as psicodinâmicas. Da mesma forma, os tratamentos também variam conforme a linha de compreensão adotada.

Algumas das fobias mais incapacitantes

Algumas fobias consensualmente tidas como mais incapacitantes e danosas estão relacionadas com os espaços abertos, as exposições sociais e o medo generalizado, ou seja, o pânico.

Agorafobia

Originalmente usada apenas para o medo de espaços abertos, atualmente esta definição significa ansiedade, medo de sair de casa ou de estar em situações nas quais a fuga ou o socorro imediato sejam difíceis (ex: multidões, lugares fechados - aviões, elevadores, cinemas -, distanciar-se de casa, transportes coletivos, túneis, pontes, lugares públicos em geral), no caso de algum acidente ou mal-estar. A pessoa passa a evitar tais situações devido ao medo ou ansiedade, o que freqüentemente faz com que fique confinada em seu próprio lar. De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais da American Psychiatric Association, o DSM-3R, são freqüentes sintomas físicos como falta de ar, tonturas, palpitações e taquicardias, náuseas, desmaios, etc.

Fobia Social

Forma excessiva de timidez que torna a pessoa incapacitada de realizar algo, logo é patológica. Freqüentemente começa na adolescência afetando igualmente homens e mulheres. É caracterizada por um medo excessivo de exposição, chegando até a evitação de situações sociais. Em outras palavras, é o medo patológico de comer, beber, tremer, enrubescer, falar, escrever, enfim, agir de forma criticável na presença de outras pessoas.

Há grande ansiedade antecipatória quando próximo do objeto em questão e ausência de sintomas ansiosos quando longe da situação fóbica. A fobia social pode ser do tipo mais restrita (ex: agir ou falar em público, encontrar com pessoas do sexo oposto) ou generalizada, quando envolve quase todas as situações sociais nas quais há a possibilidade de ser avaliado pelos outros. O segundo tipo é o mais comum. A evitação das situações que é marcante nos casos extremos pode resultar em isolamento social quase completo. Sintomas físicos como rubor, tremores nas mãos, náuseas e urgência miccional podem ocorrer.

Síndrome do Pânico

A Síndrome ou Transtorno do Pânico é conhecida também no meio médico por ansiedade paroxística episódica. Ela tem uma incidência de cerca de 1 a 2 % da população, iniciando-se normalmente na adolescência ou no adulto jovem, além de ser mais comum em mulheres. "É freqüente a ocorrência de prolapso da válvula mitral em pacientes com transtorno de pânico. Algumas doenças físicas, como hipertireoidismo e feocromocitoma, podem se manifestar com ataques de pânico. Pacientes com TP podem desenvolver secundariamente quadros depressivos ou mesmo de dependência de drogas ou álcool", esclarece o Dr. Mário Rodrigues Louzã Neto, médico-psiquiatra.

Alguns dos sintomas físicos são: taquicardia, sudorese, falta de ar, tremor, fraqueza nas pernas, ondas de frio ou de calor, tontura, sensação de estranheza pelo ambiente, de que vai desmaiar, de que vai ter um infarto, de uma pressão na cabeça, de que vai enlouquecer, de que vai engasgar, assim como crises noturnas de acordar sobressaltado com o coração disparando e com sudorese intensa. Outros passam a ter pensamentos recorrentes de que poderiam ter doenças graves mesmo que todos os exames sejam normais. Um medo muito comum é o "medo de voltar a sentir medo". Muitas vezes o simples pensamento de entrar num avião ou passar ao lado de um abismo já desencadeia a crise.

Pode ocorrer das primeiras crises aparecerem subitamente, em situações normais e habituais. Na maioria das vezes a fobia de avião costuma vir sem motivo aparente, ou seja, a pessoa não passou por acidentes nem turbulências, ela simplesmente deixa de pegar aviões.

A síndrome é comum como reação a estresse e situações de difícil solução. Fisicamente, são freqüentes as alterações orgânicas provocadas por medicamentos, por doenças físicas, por abuso de bebidas alcoólicas e drogas. O mais comum é uma combinação de vários fatores. Vale esclarecer que a síndrome do pânico não apresenta relação com a personalidade da pessoa, ou com sua bravura, como se pode imaginar. Ainda de acordo com o DSM -3R, "não se pode estabelecer que um fator orgânico iniciou e manteve a perturbação, por exemplo, Intoxicação por Anfetamina ou Cafeína, hipertireoidismo".

São comuns sintomas como depressão e pensamentos recorrentes, porém eles fazem parte da sintomatologia do pânico, não são outras doenças, como, aos olhos do leigo, pode parecer.

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