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Preparo Para a Morte: Um Conceito Esquecido no Tempo

Estamos preparados para morrer? Talvez seja hora de começarmos a pensar sobre isso. Provavelmente, todos que estivermos lendo este texto neste momento iremos morrer em algum ponto deste século 21. A morte está constantemente ao nosso lado, desde que nascemos.

Este é o tema do editorial escrito pelo Dr.Richard Smith, na revista British Medical Journal da última semana.

A medicina moderna e as informações de saúde publicadas na imprensa nos últimos 50 anos tem a capacidade de sugerir de forma implícita (se não explícita) que estamos nos tornando capazes de vencer a morte. "Se a morte é vista como uma falha ao invés de uma parte importante da vida, então as pessoas não estão se preparando para ela , e a Medicina não está dando às pessoas a devida atenção em ajudá-las a se preparar para terem uma boa morte", diz o Dr. Smith.

"Nós acreditamos que chegou o momento de quebrar o tabu e retomar o controle de uma área - a morte - que foi medicalizada, profissionalizada, e sanitizada a tal ponto que se tornou estranha para a vida diária da maior parte das pessoas ", completa.

A idéia de que a morte é uma situação macabra surgiu na Europa após o movimento de Reforma ocorrido na Igreja. Em nosso século a morte foi "medicalizada", alcançando sua apoteose na Europa com a morte do General Franco na Espanha, informada minutos a minuto pela imprensa (no Brasil ocorreu algo semelhante com a morte do Presidente Tancredo Neves).

Na Inglaterra, a maior parte das pessoas morrem em hospitais, mesmo dizendo que prefeririam morrer em suas casas; a morte em Unidades de Terapia Intensiva é mais moderna e ao mesmo tempo a mais insensível e impessoal das mortes.

"A moderna ciência tem informações e estatísticas confiáveis e detalhadas acerca da expectativa de vida, idade ao morrer, local e causa de mortes, mas nós sabemos muito pouco acerca da experiência da morte", explica o doutor Smith.

Para garantir uma "boa morte", segundo o editorial, entre outros pontos, é necessário: manter-se em controle do que está ocorrendo; ter consciência de que a morte está chegando e ser capaz de entender o que irá ocorrer; ter dignidade e privacidade; ter controle sobre o alívio da dor e dos sintomas; ser capaz de escolher entre a morte no hospital ou em sua própria casa; ter acesso a conforto espiritual e emocional; ter tempo para si despedir das pessoas; e evitar de se ter a vida prolongada artificialmente sem haver justificativa para isso.

Fonte: BMJ 2000;320:129-130 (15 January)

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