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Artigos de saúde

Os Efeitos da Cocaína no Coração

O infarto do miocárdio (IAM) é a conseqüência do abuso de cocaína mais freqüentemente relatado na literatura médica. Desde 1992, mais de 100 casos de infarto provocados por cocaína foram descritos nas publicações médicas. Todos os pacientes eram jovens, com a média de idade de 34 anos, e quase 90% eram homens que não tinham fatores de risco para patologia coronariana. O IAM foi observado até 15 horas depois do uso de cocaína.

Muitos tem sido os mecanismos propostos para a ocorrência do infarto nestes casos - entre os mais descritos, a trombose coronariana talvez seja o que merece mais considerações.

A trombose, ou formação de um coágulo, ocluindo as artérias coronárias do coração e causando o infarto, podem ser atribuídas à alterações das plaquetas e função das células internas do vaso.

Em setembro de 1999, o Dr. Arthur Siegel e colaboradores, do McLean Hospital em Belmont, Massachusetts, avaliaram os efeitos hematológicos da cocaína, publicando suas conclusões na revista Archives of Internal Medicine. Trabalhando com pacientes viciados na droga, avaliaram a resposta e as alterações no sangue após o uso intravenoso e nasal da cocaína, nestas pessoas.

Os níveis de hemoglobina, hematócrito e contagem de hemácias células vermelhas do sangue aumentaram significativamente em ambos os grupos de usuários, tornando o sangue mais viscoso e propenso a formarem-se coágulos. O fator de coagulação chamado de von Willebrand aumentou no grupo de uso intravenoso da droga. Além disso, observaram vasoconstrição nas coronárias dos pacientes, o que causa uma diminuição do aporte de sangue ao coração.

A Cocaína e o aumento do risco de infarto do miocárdio havia sido demonstrado que os usuários de cocaína apresentam um aumento de 24 vezes no risco de IAM na hora subsequente a utilização da droga, risco esse que diminui rapidamente logo em seguida.

Além do infarto, a cocaína pode deprimir a função cardíaca diretamente e na ausência de IAM. Esta disfunção ventricular pode ser resultado do efeito tóxico da cocaína diretamente ou de uma miocardite inflamação do músculo cardíaco ou de ambos. Este mecanismo, não obstante mais raro, pode causar uma doença crônica nos usuários da droga, com dilatação grave do coração e insuficiência cardíaca congestiva.

Fontes:
Arch Intern Med 1999;159:1925-1929.
Farmacologia Cardiovascular Aplicada à Clínica - 2ª Ed. - 1998.

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