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20 de julho de 2026 (Bibliomed). De acordo com uma revisão recente feita por pesquisadores da Universidade Semmelweis, na Hungria, mudanças no estilo de vida e na alimentação podem ajudar pessoas com endometriose. O estudo analisou mais de 100 artigos internacionais e descobriu que fatores como uma dieta saudável, atividade física regular, controle do estresse, sono de qualidade e ingestão adequada de micronutrientes podem ajudar a reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica, dependente de estrogênio, que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. É caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao revestimento uterino fora do útero. Essas lesões reagem ao ciclo menstrual e podem causar dor, inflamação e sangramento, frequentemente levando a cólicas menstruais intensas, sintomas pélvicos crônicos, fadiga e infertilidade. O diagnóstico costuma ser tardio e os sintomas podem afetar significativamente a qualidade de vida ao longo do tempo.
Uma das principais conclusões é que a atividade física regular – pelo menos 150 minutos por semana, de acordo com as recomendações gerais, três vezes por semana – pode trazer diversos benefícios. O exercício pode influenciar o equilíbrio hormonal e a forma como o corpo processa a dor.
Estudos clínicos demonstram que atividades como ioga, exercícios de alongamento e fortalecimento, exercícios cardiovasculares e treinamento de resistência, bem como técnicas de relaxamento como o relaxamento muscular progressivo, podem ajudar a reduzir a dor relacionada à endometriose e melhorar a qualidade de vida. Os pesquisadores também destacam os benefícios de uma dieta ao estilo mediterrâneo, rica em vegetais, frutas, grãos integrais, peixe e azeite de oliva, e com consumo limitado de carne vermelha e processada. Esse tipo de dieta tem sido associado à redução da dor e à melhora de alguns sintomas digestivos. Por outro lado, dietas pró-inflamatórias, principalmente aquelas ricas em carne vermelha, podem aumentar o risco da doença.
A revisão também analisou o possível papel de vários micronutrientes e suplementos alimentares – incluindo vitaminas C, D e E, ácidos graxos ômega-3, magnésio, zinco e certos compostos antioxidantes – observando, porém, que são necessárias mais pesquisas clínicas para confirmar seus benefícios. Fatores relacionados ao estilo de vida também incluem boa qualidade de sono, gerenciamento eficaz do estresse, consumo moderado de álcool e redução da exposição a substâncias químicas como BPA, DEHP e DES, que podem atuar como desreguladores endócrinos e interferir na função hormonal.
A publicação também apresenta uma nova abordagem dietética atualmente em investigação, conhecida como dieta que imita o jejum (DMJ). Trata-se de um programa curto, geralmente de cinco dias, à base de plantas e com baixas calorias, concebido para desencadear efeitos semelhantes ao jejum sem exigir restrição alimentar completa. Em estudos clínicos de outras doenças inflamatórias e metabólicas crônicas – como diabetes tipo 2 e risco cardiovascular – a DMJ demonstrou reduzir a inflamação, promover o equilíbrio hormonal e metabólico e ativar processos de reparação celular.
Fonte: Nutrients. DOI: 10.3390/nu18010142.
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