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10 de fevereiro de 2026 (Bibliomed). Estudo realizado na Clínica Mayo em Rochester, nos Estados Unidos, sugere o sono reparador também pode proteger a saúde do cérebro. Idosos com insônia crônica podem apresentar um declínio mais rápido na memória e nas habilidades cognitivas à medida que envelhecem.
O estudo mostrou que pessoas com insônia crônica apresentaram um risco 40% maior de desenvolver demência ou sofrer um declínio nas habilidades cognitivas, em comparação com aquelas que dormem melhor. Isso equivale a mais 3,5 anos de envelhecimento cerebral, disseram os pesquisadores.
Para o novo estudo, os pesquisadores acompanharam por mais de cinco anos 2.750 idosos (idade média: 70 anos), todos os quais apresentavam boa saúde cerebral no início do estudo. Aproximadamente 16% dos participantes apresentavam insônia crônica, definida como dificuldade para dormir pelo menos três dias por semana durante três meses ou mais.
Os participantes realizaram testes de raciocínio e memória anualmente. Alguns também fizeram exames de imagem cerebral para detectar sinais de envelhecimento cerebral, incluindo tecido cerebral danificado e placas tóxicas de beta-amiloide. Os resultados mostram que cerca de 14% das pessoas com insônia crônica desenvolveram comprometimento cognitivo leve ou demência, em comparação com 10% daquelas sem insônia. De forma geral, pessoas com insônia apresentaram 40% mais chances de sofrer declínio cognitivo ou demência, mesmo após os pesquisadores considerarem outros fatores de risco.
Os efeitos da má qualidade do sono foram perceptíveis desde o início do estudo. Segundo o estudo, pessoas que relataram dormir menos do que o habitual apresentaram maior probabilidade de obter pontuações mais baixas em testes cognitivos, além de maior probabilidade de ter tecido cerebral danificado e placas amiloides. Na verdade, o efeito da má qualidade do sono nas placas amiloides — uma característica marcante da doença — foi semelhante ao risco observado em pessoas com fatores de risco genéticos conhecidos para Alzheimer.
Os resultados mostraram que os insones portadores do gene APOE4 — associado a um maior risco de Alzheimer — apresentaram declínios mais acentuados na memória e nas habilidades cognitivas. De acordo com os autores, esses resultados sugerem que a insônia pode afetar o cérebro de diferentes maneiras, envolvendo não apenas as placas amiloides, mas também os pequenos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro. Para eles, isso reforça a importância do tratamento da insônia crônica — não apenas para melhorar a qualidade do sono, mas também para proteger a saúde cerebral à medida que envelhecemos.
Fonte: Neurology. DOI: 10.1212/WNL.0000000000214155.
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