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Adoçante artificial pode interferir no tratamento do câncer

04 de fevereiro de 2026 (Bibliomed). Estudo realizado na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostrou que o uso da sucralose, um adoçante artificial comum, pode prejudicar certos tratamentos de imunoterapia em pacientes com câncer.

De que forma a sucralose pode interferir nas imunoterapias contra o câncer? Esses tratamentos incluem imunoterapias potentes com inibidores de checkpoint imunológico, como o anti-PD1. Esse tratamento funciona aumentando a atividade de células-chave do sistema imunológico chamadas células T. Os pesquisadores explicaram que as células T precisam de arginina para funcionar eficazmente no combate às células cancerígenas.

Nos experimentos com ratos, os animais geneticamente modificados para desenvolverem tipos de câncer, como adenocarcinoma ou melanoma, apresentaram uma alteração na microbiota intestinal quando a sucralose foi adicionada à sua dieta. Isso levou a uma proliferação de certas bactérias intestinais que decompõem a arginina, reduzindo os níveis desse aminoácido.

Os pesquisadores explicam que quando os níveis de arginina diminuíram devido às alterações no microbioma induzidas pela sucralose, as células T não conseguiram funcionar corretamente. Como resultado, a imunoterapia não foi tão eficaz em camundongos alimentados com sucralose. Eles descobriram que que ratos submetidos a imunoterapia anti-PD1, mas que receberam sucralose, apresentaram tumores maiores e menor sobrevida em comparação com aqueles não expostos à sucralose.

Contudo, havia uma solução: quando os pesquisadores administraram aos ratos os suplementos de arginina ou citrulina, a potência da imunoterapia retornou aos níveis normais. É claro que experimentos em ratos nem sempre se repetem em humanos. No entanto, um estudo subsequente com pacientes com câncer pareceu corroborar as descobertas observadas em ratos.

A mesma equipe de pesquisa acompanhou os resultados de 132 pacientes com melanomas avançados ou câncer de pulmão que receberam imunoterapia anti-PD1 isoladamente ou em combinação com quimioterapia, e descobriram que a sucralose prejudicou a eficácia das imunoterapias em diversos tipos de câncer, estágios e modalidades de tratamento. Para os autores, essas observações levantam a possibilidade de desenvolver prebióticos, como suplementação nutricional direcionada para pacientes que consomem altos níveis de sucralose.

Fonte: Cancer Discovery. DOI: 10.1158/2159-8290.CD-25-0247.

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