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22 de janeiro de 2026 (Bibliomed). Açúcar e adoçantes artificiais podem aumentar o risco de puberdade precoce em crianças, sugere estudo realizado na Universidade Médica de Taipei, em Taiwan. Açúcar, aspartame, sucralose e glicirrizina estão todos significativamente associados a um risco maior de puberdade precoce, particularmente em crianças com predisposição genética. Além disso, os pesquisadores descobriram que quanto mais desses adoçantes as crianças consumiam, maior era o risco de puberdade precoce.
Pesquisas anteriores mostraram que certos adoçantes podem influenciar diretamente os hormônios e as bactérias intestinais relacionados à puberdade precoce. Por exemplo, o adoçante artificial acessulfame de potássio (Ace-K) desencadeia a liberação de hormônios relacionados à puberdade, e a glicirrizina altera o equilíbrio das bactérias intestinais e influencia genes envolvidos na puberdade, o que sugere que o que as crianças comem e bebem, especialmente produtos com adoçantes, pode ter um impacto surpreendente e poderoso em seu desenvolvimento.
Para o novo estudo, os pesquisadores analisaram dados de mais de 1.400 adolescentes em Taiwan, dos quais 481 apresentaram uma forma de puberdade precoce chamada puberdade precoce central. A puberdade geralmente começa entre os 8 e os 13 anos para as meninas e entre os 9 e os 14 anos para os meninos. A puberdade precoce central ocorre quando o cérebro da criança libera o hormônio liberador de gonadotrofina muito cedo, fazendo com que os testículos ou os ovários começam a produzir hormônios sexuais. Crianças com puberdade precoce podem crescer rapidamente no início, mas param mais cedo do que o normal, fazendo com que se tornem adultos mais baixos do que a média. A longo prazo, podem apresentar maior risco de doenças cardíacas, certos tipos de câncer e diabetes tipo 2.
Os pesquisadores utilizaram questionários e amostras de urina para avaliar a ingestão de adoçantes por adolescentes e testaram sua predisposição genética usando um painel de 19 genes relacionados à puberdade precoce central. Eles descobriram que não apenas certos adoçantes estavam ligados à puberdade precoce, mas também que meninos e meninas respondiam a diferentes tipos de adoçantes. Os resultados mostram que a sucralose aumenta o risco de puberdade precoce em meninos, enquanto a glicirrizina, a sucralose e os açúcares adicionados aumentam o risco em meninas.
Segundo os autores, os resultados destacam as diferenças de gênero em como os adoçantes afetam meninos e meninas, adicionando uma camada importante à nossa compreensão dos riscos individuais à saúde. Eles ressaltam que essas descobertas são diretamente relevantes para famílias, pediatras e autoridades de saúde pública, pois sugerem que a triagem para risco genético e a moderação na ingestão de adoçantes podem ajudar a prevenir a puberdade precoce e suas consequências para a saúde a longo prazo. Isso pode levar a novas diretrizes alimentares ou ferramentas de avaliação de risco para crianças, apoiando um desenvolvimento mais saudável.
Fonte: The Endocrine Society Annual Meeting (ENDO 2025).
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