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Temperatura elevada não impede a disseminação da COVID-19

23 de abril de 2020 (Bibliomed). Estudos anteriores mostraram a importância de variáveis climáticas na transmissão de doenças infecciosas, incluindo, entre outras, a gripe e a síndrome respiratória aguda grave (SARS). Por exemplo, uma mudança acentuada da temperatura ambiente já foi associada ao aumento do risco de SARS. Além disso, a transmissão da influenza é frequentemente aprimorada na presença de ar frio e/ou seco. No norte da Europa, a baixa temperatura e os baixos índices de UV foram correlacionados com picos de atividade do vírus influenza durante 2010 e 2018. Portanto, acreditou-se que a transmissão da COVID-19 poderia diminuir ou até desaparecer quando a temperatura e a radiação UV aumentassem no verão. Em um novo estudo, pesquisadores objetivaram determinar a associação de fatores meteorológicos com a transmissão da COVID-19 em várias cidades chinesas.

No estudo, foram analisados dados de 62 cidades chinesas que tivessem mais de 50 casos de COVID-19. O R0 foi calculado nestas cidades. R0 foi calculado para 62 cidades com mais de 50 casos em 10 de fevereiro de 2020. R foi usado para avaliar as associações de fatores meteorológicos, incluindo temperatura, umidade relativa e radiação UV, com a capacidade da COVID-19 se espalhar.

Os pesquisadores descobriram que a temperatura não estava significativamente associada à taxa de incidência cumulativa ou R0 em cidades fora e dentro da província de Hubei após o ajuste para umidade relativa e UV, o que indicava que a capacidade de propagação da COVID-19 não mudaria com o aumento da temperatura. Da mesma forma, após o ajuste da temperatura e umidade relativa, não houve associação do UV com a taxa de incidência cumulativa e R0, indicando não haver alteração na capacidade de propagação da COVID-19 com o aumento da exposição ao UV. Não foram observadas associações significativas de umidade relativa, temperatura máxima ou temperatura mínima com a taxa de incidência cumulativa ou R0 da COVID-19.

Assim, este estudo não deu suporte à hipótese de que a alta temperatura e a radiação UV poderiam reduzir a transmissão do COVID-19. Pode ser prematuro de se contar com clima mais quente para controlar a COVID-19.

Fonte: European Respiratory Journal 2020. DOI: 10.1183/13993003.00517-2020.

Copyright © Bibliomed, Inc.

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