Artigos de saúde
Equipe Editorial Bibliomed
Neste artigo:
- Introdução
- O que é uma concussão?
- Como a concussão acontece?
- Quais são os sintomas?
- Quando procurar atendimento urgente?
- O que fazer logo após a pancada?
- Como é feito o diagnóstico?
- Como é o tratamento?
- Quanto tempo demora a recuperação?
- A criança pode voltar para a escola?
- Como prevenir?
- Concluindo
Uma queda de bicicleta, uma dividida durante uma partida de futebol, um acidente de skate ou até mesmo uma batida aparentemente sem gravidade podem causar uma concussão cerebral. Embora seja considerada uma forma leve de traumatismo craniano, a concussão merece atenção imediata, pois pode alterar temporariamente o funcionamento do cérebro e exigir cuidados específicos para garantir uma recuperação completa.
Nos últimos anos, o número de casos de concussão em crianças e adolescentes aumentou significativamente em diversos países, principalmente devido à maior participação dos jovens em atividades esportivas e à maior conscientização sobre o problema. Felizmente, quando reconhecida precocemente e tratada de forma adequada, a maioria das crianças se recupera completamente em poucas semanas.
A concussão é uma lesão cerebral causada por um impacto direto na cabeça ou por um movimento brusco que faz o cérebro se deslocar rapidamente para frente e para trás dentro do crânio. Esse movimento pode provocar alterações temporárias na função das células cerebrais, interferindo no funcionamento normal do cérebro.
É importante entender que nem sempre é necessário haver uma pancada muito forte. Em alguns casos, uma desaceleração brusca, como ocorre em acidentes de trânsito ou quedas, pode ser suficiente para provocar uma concussão.
Apesar de ser classificada como um traumatismo craniano leve, isso não significa que deva ser ignorada. Toda suspeita de concussão deve ser avaliada por um profissional de saúde.
As causas mais comuns variam conforme a idade da criança.
Nos pequenos, as quedas dentro de casa, nos playgrounds ou durante brincadeiras são as principais responsáveis. Já entre crianças maiores e adolescentes, as lesões esportivas ocupam lugar de destaque.
Esportes de contato apresentam maior risco, como:
- Futebol americano;
- Rugby;
- Hóquei no gelo;
- Futebol;
- Lacrosse.
Entretanto, diversas outras atividades também podem resultar em concussão, incluindo:
- Ciclismo;
- Skate;
- Patinação;
- Esqui;
- Ginástica;
- Cheerleading;
- Artes marciais.
O uso de capacete reduz o risco de lesões graves na cabeça e é fundamental em muitas dessas modalidades. Porém, é importante saber que nenhum capacete é capaz de impedir completamente a ocorrência de uma concussão.
Os sinais podem surgir imediatamente após o trauma, mas também podem aparecer minutos ou até horas depois.
Os sintomas mais frequentes incluem:
- Dor de cabeça;
- Tontura;
- Náuseas ou vômitos;
- Cansaço excessivo;
- Sonolência;
- Visão embaçada ou dupla;
- Sensibilidade à luz;
- Sensibilidade ao barulho.
Também podem ocorrer alterações cognitivas, conhecidas popularmente como "névoa mental".
A criança pode apresentar:
- Dificuldade para prestar atenção;
- Problemas de concentração;
- Esquecimentos;
- Lentidão para responder perguntas;
- Dificuldade para seguir instruções simples;
- Sensação de confusão.
Algumas crianças tornam-se irritadas, chorosas ou mais emocionais do que o habitual. Outras podem parecer excessivamente quietas ou desinteressadas.
Em alguns casos ocorre perda de consciência, mesmo que por poucos segundos. Embora isso não aconteça na maioria das concussões, quando ocorre exige avaliação médica imediata.
Quando procurar atendimento urgente?
Existem sinais que podem indicar uma lesão cerebral mais grave.
Procure imediatamente um serviço de emergência se a criança apresentar:
- Perda de consciência;
- Sonolência excessiva ou dificuldade para acordar;
- Convulsões;
- Vômitos repetidos;
- Dor de cabeça muito intensa ou que piora progressivamente;
- Fraqueza em braços ou pernas;
- Alterações importantes da fala;
- Confusão crescente;
- Dificuldade para caminhar;
- Pupilas de tamanhos diferentes;
- Sangramento ou saída de líquido pelo nariz ou ouvido após o trauma.
Esses sintomas podem indicar uma lesão intracraniana que necessita de investigação urgente.
O que fazer logo após a pancada?
Se houver suspeita de concussão durante uma atividade esportiva, a criança deve ser retirada imediatamente da prática esportiva.
Ela não deve continuar jogando "para ver se melhora". Permanecer em atividade aumenta o risco de uma nova lesão antes da recuperação completa do cérebro, o que pode prolongar os sintomas e aumentar o risco de complicações.
Pais, professores, treinadores e cuidadores devem incentivar a criança a relatar qualquer sintoma, mesmo que pareça leve.
Esconder os sintomas para continuar competindo pode atrasar a recuperação e aumentar os riscos.
O diagnóstico é principalmente clínico.
O médico avalia como ocorreu o acidente, quais sintomas estão presentes e realiza um exame físico e neurológico detalhado. Existem protocolos específicos utilizados por profissionais treinados, especialmente no ambiente esportivo, que ajudam na avaliação da concussão.
Na maioria dos casos, exames como tomografia computadorizada ou ressonância magnética não são necessários, porque a concussão geralmente não provoca alterações visíveis nesses exames.
Entretanto, o médico pode solicitar exames de imagem quando houver suspeita de lesões mais graves ou quando determinados sintomas estiverem presentes.
Não existe um medicamento capaz de curar a concussão.
O tratamento baseia-se principalmente em permitir que o cérebro tenha tempo para se recuperar.
Nas primeiras horas e dias, recomenda-se reduzir atividades físicas e o esforço mental.
Isso inclui diminuir temporariamente:
- Tempo de telas (celular, videogame e computador);
- Estudos intensos;
- Leitura prolongada;
- Atividades que exijam muita concentração.
À medida que os sintomas melhoram, a criança pode retornar gradualmente às atividades escolares e físicas, sempre seguindo orientação médica.
O retorno aos esportes deve ocorrer apenas após liberação do profissional responsável.
Quanto tempo demora a recuperação?
A boa notícia é que a maioria das crianças melhora completamente.
Em geral, a recuperação ocorre em até quatro semanas.
Entretanto, cerca de um terço dos pacientes pode apresentar sintomas por mais tempo, incluindo dores de cabeça persistentes, dificuldade de concentração, fadiga ou tonturas.
Nesses casos, é importante manter acompanhamento médico, pois tratamentos específicos podem acelerar a recuperação.
A criança pode voltar para a escola?
Na maioria das vezes, sim.
O retorno às atividades escolares costuma ocorrer de maneira gradual. Algumas crianças necessitam de adaptações temporárias, como redução da carga de tarefas, intervalos mais frequentes ou diminuição do tempo de exposição às telas.
Professores e escola devem ser informados sobre o diagnóstico para colaborar durante o período de recuperação.
Nem todas as concussões podem ser evitadas, mas algumas medidas reduzem significativamente o risco:
- Utilizar capacetes sempre que indicados;
- Usar equipamentos de proteção adequados para cada esporte;
- Ensinar técnicas corretas de prática esportiva;
- Respeitar as regras de segurança;
- Nunca permitir que uma criança com suspeita de concussão continue jogando;
- Incentivar crianças e adolescentes a relatarem imediatamente qualquer sintoma após uma pancada.
Uma concussão é uma lesão cerebral que deve ser levada a sério, mesmo quando os sintomas parecem leves. O reconhecimento precoce, a interrupção imediata das atividades após o trauma e a avaliação médica são fundamentais para evitar complicações.
Na grande maioria dos casos, crianças e adolescentes apresentam recuperação completa quando recebem os cuidados adequados. Pais, familiares, professores e treinadores desempenham um papel essencial ao reconhecer os sinais da concussão, garantir o repouso necessário e respeitar o tempo de recuperação antes do retorno às atividades físicas e esportivas.
Fonte: JAMA Pediatrics. What Parents Need to Know About Head Injury and Concussions.
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