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Hormônio ouabaína pode ajudar no tratamento de doenças neurodegenerativas

09 de julho de 2012 (Bibliomed).  Uma substância que pode ser extraída da planta Strophantus gratus e também é encontrada no organismo humano está se apresentando como uma promessa na fabricação de medicamentos para doenças neurodegenerativas, como o mal de Parkinson e o Alzheimer.

A ouabaína, também chamada de estrofantina-g, é atualmente utilizada para tratar insuficiência e arritmia cardíaca, promovendo um aumento da força de contração cardíaca e a normalização do ritmo do coração.

O estudo, realizado no Laboratório de Neurofarmacologia Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB/USP), é pioneiro em mostrar a ação da ouabaína em atividades protetoras dos neurônios cerebrais.

Pesquisadores norte-americanos e japoneses já haviam encontrado indícios da produção de ouabaína no organismo humano no sistema nervoso central, e, posteriormente, constatou-se que o hormônio também é produzido nas glândulas suprarrenais.

Na USP foram desenvolvidos dois estudos que mostraram a atividade protetora da ouabaína. Em um deles, realizado com ratos, os pesquisadores injetaram o hormônio na região do hipocampo do cérebro – uma região relacionada à memória, e perceberam um aumento na quantidade de uma proteína que tem a capacidade de modelar a expressão de genes importantes para a proteção dos neurônios.  

O hormônio foi utilizado em baixas concentrações, dentro do nível fisiológico, diferentemente das concentrações utilizadas na fabricação de medicamentos cardiotônicos, onde essas são mais altas. Foi justamente a baixa concentração da ouabaína que possibilitou a modulação da ação dos receptores de glutamato, um aminoácido excitatório presente no organismo e fundamental para a atividade do sistema nervoso central.

O segundo estudo foi realizado em cultura de células primárias mista de neurônio e glia de ratos. A glia é um conjunto de células que envolvem os neurônios. Os resultados foram semelhantes aos do primeiro estudo, indicando que ouabaína modula genes ligados à resposta inflamatória e aos fatores neurotróficos (proteínas que favorecem a sobrevivência dos neurônios).

Segundo os pesquisadores, a descoberta do poder neuroprotetor da ouabaína surge como uma possibilidade para revolucionar o tratamento das doenças neurodegenerativas, que hoje é baseado em medicamentos paliativos. A partir de agora, mais pesquisas envolvendo o hormônio poderão ser realizadas e será possível desenvolver fármacos que façam o bloqueio de processos ligados à morte neuronal, o que poderá impedir a progressão de doenças como o Alzheimer ou o Parkinson.

Fonte: Agência USP, 03 de julho de 2012.

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