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Cirurgia de Artéria Oferece Benefícios de Longa Duração

Por Merritt McKinney

NOVA YORK (Reuters Health) - A cirurgia para limpar as artérias do pescoço -- que levam sangue ao cérebro e que estão severamente bloqueadas -- reduz o risco de derrame em curto prazo. Agora, pesquisadores relatam que os benefícios do procedimento, chamado endarterectomia da carótida, são de longa duração.

Um estudo chamado Teste de Endarterectomia em Norte-Americanos com Carótida Sintomática (Nascet, sigla para North American Sympomatic Carotid Endarterectomy) começou em 1987 e foi projetado para verificar se a endarterectomia (retirada do revestimento danificado da artéria) poderia prevenir o derrame em pessoas com bloqueio parcial ou quase total da artéria carótida.

Enquanto todos os envolvidos no estudo receberam tratamento médico para os fatores de risco de derrame, como pressão alta, taxas elevados de açúcar no sangue e altos níveis de colesterol, metade dos participantes também foi submetida à cirurgia para limpeza da artéria, de acordo com o chefe da equipe, Henry J.M. Barnett, do Instituto de Pesquisa John P.Robarts, em Ontário (Canadá).

Em 1991, ficou claro que a cirurgia preveniu derrames nas pessoas com os bloqueios de artérias mais severos -- entre 70 e 90 por cento bloqueada -- que tinham sintomas de amortecimento na face, dificuldade de falar e tontura, disse Barnett em entrevista à Reuters Health.

"Para pacientes graves, o estudo foi além", disse ele. Como esconder um tratamento que potencialmente poderia salvar a vida poderia ser antiético, todos os participantes do grupo que não passaram pela cirurgia tiveram a oportunidade de ser submetidos ao procedimento.

Barnett explicou que cerca de metade das pessoas do grupo fez a endarterectomia, enquanto os outros escolheram não passar pela cirurgia ou resolveram ser operados quando estavam com a saúde tão debilitada que os riscos da cirurgia eram equivalentes ao benefício potencial.

Na edição de setembro do Stroke: Journal of the American Heart Association, Barnett e seus colegas fizeram uma atualização dos efeitos de longa duração da endarterectomia, tanto em pacientes que passaram pela cirurgia no início do estudo, como naqueles que se submeteram à cirurgia em 1991 ou mais tarde.

"A endarterectomia provou ser durável em longo prazo e reduziu o risco de derrame de tal forma que somente cinco pacientes precisaram ser tratados para prevenir um derrame em três anos", escreveram os pesquisadores.

"Esse é um procedimento que dura. Não é algo que vai beneficiar o paciente apenas por alguns meses", disse Barnett.

As pessoas que primeiro foram tratadas somente com drogas e depois passaram pela cirurgia não tiveram os riscos de derrame reduzidos tanto quanto aquelas que fizeram a endarterectomia no início do estudo, explicam os pesquisadores.

Três anos depois da cirurgia, o risco de ter um derrame caiu para 7,1 por cento nas pessoas que atrasaram a cirurgia comparado a aproximadamente 19 por cento de declínio do risco naqueles que não atrasaram a cirurgia.

Segundo Barnett, a prevenção de derrame faz sentido, já que os benefícios de qualquer tratamento médico são sempre maiores nos casos mais graves.

Isso não significa que a cirurgia não seja indicada para algumas pessoas que protelam o tratamento muitos anos depois do desenvolvimento dos sintomas. Mas deveriam ser informadas que podem não conseguir os benefícios comprovados que uma cirurgia mais precoce poderia trazer.

O teste também deu aos pesquisadores uma chance para observar as mudanças que ocorrem nas artérias de pessoas que estão em tratamento apenas com drogas, explicou Barnett.

Conforme o pesquisador, enquanto as artérias bloqueadas pioraram em cerca de 10 por cento dos casos, melhoraram em cerca de 10 por cento dos pacientes. Os níveis de bloqueio permaneceram aproximadamente os mesmos em mais da metade dos pacientes tratados com remédio, acrescentou Barnett.

Segundo Barnett, as descobertas sugerem que, para pessoas com bloqueio parcial das artérias carótidas que não apresentam sintomas, não é necessário realizar exames frequentes de inspeção com imagem.

"Um exame a cada dois anos parece ser razoável para verificar como as coisas vão", disse o pesquisador.

Sinopse preparada por Reuters Health

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