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Venda de Sangue Contaminado Levanta Polêmica Internacional

Por Sanjay Kumar

NOVA DÉLI, Índia (Reuters Health) - A polícia e as autoridades de saúde da Áustria, Suíça e Grã-Bretanha estão investigando o comércio de plasma sanguíneo, supostamente contaminado com HIV, hepatite C e sífilis, vendido por empresas sul-africanas e bancos de sangue para corretores na Suíça e Grã-Bretanha.

Há receio que operadores inescrupulosos possam ter feito uma nova rotulagem de produtos contaminados e vendido para diferentes países, principalmente China e Índia, por mais de uma década, colocando em perigo muitas vidas.

Uma investigação confidencial do Departamento de Saúde da África do Sul, concluída em maio, confirmou que exportações de plasma sanguíneo infectado e "inadequado para uso humano", de fato, ocorreram nos últimos dez anos.

Um relatório recentemente publicada no jornal The Times, de Londres, informou que o negócio ilegal foi revelado em um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas a entidade nega qualquer ligação com o assunto.

Mesmo que os investigadores tenham analisado as permissões para exportação entre 1990 e 2000, a África do Sul exporta plasma desde 1975. Entre 1983 e 1986, o plasma humano da África do Sul foi rotulado erroneamente como "plasma animal" e exportado ilegalmente para a Europa.

Processos judiciais ocorreram na Bélgica e uma pessoa foi condenada. Em 1996, a Áustria apreendeu 4 mil litros de sangue infectado com o HIV e hepatite da Albovina, uma empresa sediada em Linz. A ligação entre a empresa da África do Sul e a Suíça está sob investigação policial.

Segundo consta, uma quantidade substancial das exportações de plasma/soro da África do Sul foi vendida para corretores de plasma que, atualmente, estão sob investigação por negócios escusos. Os consignatários nos certificados de permissão para exportação eram, na maioria, europeus e norte-americanos.

"É importante que esse tráfico seja denunciado. Se pessoas têm agido de forma criminosa, aplicando novos rótulos a produtos sanguíneos e colocando vidas humanas em perigo, devem ser punidas", disse Luc Noel, Coordenador de Segurança para Transfusão de Sangue da OMS em Genebra.

Ainda é um enigma onde os produtos foram parar, embora Índia e China sejam apontadas como principais destinos.

A reportagem do Times informou que detetives austríacos investigaram pelo menos duas empresas britânicas sediadas em Guernsey e Berkshire. Elas foram citadas como companhias inescrupulosas que processam sangue em vários países e trocam rótulos de material contaminado por rótulos que garantem o uso terapêutico, para depois vender para Índia e China.

"Acredito que a substância que pode ter chegado à Índia ou à China seja a albumina, não infecciosa", disse Luc Noel.

"Inspetores farmacêuticos suíços e austríacos, informados da investigação policial no caso Albovina, confirmaram que autoridades indianas e chinesas foram notificadas sobre o caso", afirmou Luc Noel.

O ministro da Saúde da Índia, em declaração à imprensa em 30 de agosto, disse que "salvaguardas adequadas foram fornecidas para assegurar a qualidade e a segurança dos produtos de sangue importados pelo país".

De acordo com o ministro, nenhuma licença de importação foi liberada a comercialização de qualquer produto de sangue da África do Sul.

Nada é conhecido sobre as investigações ordenadas pelo ministério da saúde em 1998, quando alusões a carregamentos de sangue contaminado, provenientes da Áustria, foram anunciadas pela mídia indiana.

"Se os produtos foram vendidos por empresas sob suspeita de cometerem atividades criminosas, que colocam vidas humanas em perigo, em qualquer país ou locais onde os produtos transferidos chegaram, precisa ser investigado pelas autoridades, mas são necessários fatos consistentes", concluiu Noel.

Sinopse preparada por Reuters Health

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