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Mitos e tabus inibem desejo sexual na gravidez

29 de Maio de 2003 (Bibliomed). Durante a gravidez, a mulher costuma reduzir as práticas sexuais de 40% a 60% por causa de fatores de ordem psicológica, física ou emocional, somados a velhos tabus e mitos que inibem o desejo sexual feminino, como a crença religiosa de que sexo durante a gravidez é sujo e pecaminoso, ou o medo de que o ato sexual possa desencadear parto prematuro.

Durante três anos, a médica tocoginecologista e professora Maria Cristina Lazar coletou cerca de 130 depoimentos de um grupo de 36 mulheres, todas pacientes do Hospital Leonor Mendes de Barros, de São Paulo. Suas análises resultaram na tese de doutorado “Práticas sexuais de mulheres no ciclo gravídico-puerperal”, defendida recentemente no Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

A pesquisadora observou uma diminuição de 25% na freqüência de relações sexuais durante o primeiro trimestre em comparação ao período pré-gestacional. No segundo trimestre, o nível de atividade sexual caiu cerca de 25% em relação ao trimestre anterior, e no terceiro trimestre, o índice chegou a 50% em relação ao período anterior. As causas dessa redução variaram de acordo com o tempo de gestação, que provoca alterações hormonais e no corpo da mulher, como crescimento abdominal e sensibilidade mamária. Nos três primeiros meses a mulher é acometida por náuseas, vômitos, alterações de humor e medo de provocar um aborto com a prática do ato sexual. “Pude observar que, a partir do quinto mês de gestação, o homem começa a perder o interesse sexual pela mulher, enquanto ela continua, evidentemente, com sua vontade diminuída. Além disso, as formas corporais da mulher vão impondo ao casal posições diferentes de relação, passando gradativamente da mais convencional para a posição lado-a-lado entre outras”, disse.

Durante os últimos meses de gestação, a preocupação com a proximidade do parto faz com que a mulher diminua ainda mais o interesse por sexo, somando-se a isso, muitas vezes, dores durante a relação. Apesar do declínio da atividade sexual nesse período, segundo a pesquisadora, a mulher sente maior necessidade de manter-se mais próxima do companheiro, de ser beijada, de ser acariciada. Entretanto, muitas vezes há considerável desinteresse por parte do marido, que vai se acentuando com o tempo.

Quanto à obtenção do orgasmo, a pesquisadora constatou uma diminuição também no decorrer da gestação: passou de 70% no período de pré-gestação para pouco mais de 24% no final da gravidez naquelas mulheres que diziam obtê-lo sempre ou na maioria das vezes. Quanto ao retorno à vida sexual no período pós-parto, a maioria das mulheres ainda não havia reiniciado sua vida sexual depois de oito semanas de nascimento do bebê.

Segundo a pesquisadora, há poucas indicações para limitar ou mesmo interromper a vida sexual de um casal durante o período de gestação. As principais são história prévia de abortos de repetição, história de partos prematuros, presença de infecção em um dos parceiros, gestação múltipla, sangramento durante a relação sexual e ruptura prematura das membranas. Quando a relação é contra-indicada por motivos de ordem médica, o casal pode buscar alternativas de satisfação sexual através da estimulação mútua.

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